A 24ª edição da FECOIMP encerrou sua programação deixando um legado concreto: pela primeira vez, a maior feira de negócios de Imperatriz integrou estruturas permanentes de acessibilidade e educação infantil ao seu DNA empresarial. Duas iniciativas estrearam em 2026 e não foram apenas “extras” na agenda — elas redefiniram quem pode ocupar aquele espaço.
O resultado imediato foi uma feira que manteve o foco em geração de negócios, mas passou a acolher neurodivergentes e a ensinar empreendedorismo para crianças de 8 a 12 anos. A pergunta que fica é: até onde essa mudança pode ir nas próximas edições?
Uma sala de 18m² que mudou a regra do jogo
Instalada dentro do Espaço de Inclusão, a Sala Sensorial ocupou aproximadamente 18 metros quadrados. Parece pouco, mas a densidade de recursos impressiona: iluminação controlada, tatames, piscina de bolinhas, túnel, balanço, mesa de atividades e painel sensorial. Terapeutas e profissionais de apoio ficaram de prontidão durante todo o evento.
O objetivo não era clínico. A proposta era oferecer um refúgio temporário para regulação sensorial — uma pausa diante do bombardeio de sons, luzes e multidões típicos de grandes eventos. Embora desenhada com foco em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a porta estava aberta para qualquer visitante com deficiência, outros transtornos do neurodesenvolvimento ou simples hipersensibilidade momentânea.
Na prática, a sala garantiu que famílias inteiras pudessem permanecer na feira por mais tempo. Quem precisava de uma pausa tinha onde ir; quem não precisava, via a inclusão acontecer na prática.
Empreendedorismo com 40 vagas e lista de espera
Enquanto a Sala Sensorial cuidava do acolhimento, o Fecoimp Kids ocupava outro flanco: o da formação. Nos dias 17 e 18 de setembro, das 18h às 20h, 40 crianças por dia (faixa dos 8 aos 12 anos) participaram de oficinas, mentorias e um tour guiado pela estrutura da feira.
- Formato: Imersão de 2 horas em dias úteis, horário pós-escola.
- Conteúdo: Conceitos de empreendedorismo adaptados à linguagem infantil.
- Experiência extra: Visita monitorada aos estandes reais do evento.
A iniciativa resolveu um gargalo antigo: filhos de empresários e visitantes muitas vezes circulavam entediados pelos corredores. Agora, eles tinham uma programação própria, educativa e alinhada ao propósito do evento. As vagas esgotaram rápido, sinalizando demanda reprimida.
O efeito cascata no planejamento estratégico
Para a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Imperatriz (ACII), realizadora do evento, as duas ações funcionaram como pilotos de uma transformação mais ampla. A inclusão deixa de ser “ação social paralela” e entra no planejamento estrutural da feira. A educação infantil deixa de ser “entretenimento” e vira ponte para formação de futura mão de obra e mentalidade de negócios na região.
A perspectiva declarada é progressiva: incorporar recursos de acessibilidade a cada edição, expandindo o que funcionou e corrigindo falhas. No caso do Kids, a tendência é ampliar faixa etária, carga horária e integração com expositores — imagine crianças visitando estandes de tecnologia ou indústria com roteiros pedagógicos.
O que observar daqui para frente
Três movimentos merecem atenção de quem acompanha o calendário de feiras no Maranhão e no Nordeste:
- Métricas de permanência: A Sala Sensorial deve gerar dados sobre tempo médio de estadia de famílias neurodivergentes — indicador valioso para patrocinadores.
- Pipeline de talentos: O Fecoimp Kids pode evoluir para programas de mentoria contínua durante o ano, não restritos aos dias de feira.
- Benchmarking regional: Outras feiras do porte da FECOIMP tendem a replicar o modelo se os números de satisfação e engajamento confirmarem a hipótese: inclusão e educação geram mais negócios, não menos.
O legado da 24ª edição não está nas fotos da estrutura montada, mas na precedência criada. A FECOIMP provou que uma feira de negócios rigorosa pode — e talvez deva — ser também um espaço de acolhimento e formação. Quem planeja eventos corporativos em 2025 já tem um novo parâmetro para medir o sucesso: não apenas quantos contratos foram assinados, mas quantas pessoas se sentiram parte daquilo.
