Tecnologia

Meta reativa Instagram de igreja que criticou bolsonarismo após erro de moderação

A Meta restaurou o perfil da Igreja Alternativa no Instagram menos de 48 horas depois de desativá-lo sem explicação clara. A conta @igrejaalternativa, da congregação sediada em Piracicaba (SP), voltou ao ar após a empresa admitir falha na análise inicial.

O bloqueio ocorreu em 23 de setembro, dias depois de o pastor Rodolfo Capler publicar vídeo questionando a proximidade de segmentos evangélicos com o bolsonarismo. A suspensão silenciosa gerou repercussão imediata e levou a comunidade a criar um perfil reserva para manter contato com seguidores.

O que motivou a remoção

A Meta não informou à igreja qual publicação específica teria violado as diretrizes. Em nota enviada após a reativação, a empresa limitou-se a declarar que uma “nova análise” confirmou conformidade com os Padrões de Comunidade relativos à integridade da conta.

Reconheceu o erro e lamentou o período de indisponibilidade. Não houve menção a pressão externa ou a pedido de revisão formal por parte da congregação.

Impacto direto na comunidade

  • Perfil original: 12,3 mil seguidores acumulados em 4 anos
  • Perfil reserva criado durante o bloqueio: 3,1 mil seguidores em 36 horas
  • Conteúdo afetado: transmissões ao vivo, arquivos de cultos e comunicados internos

A igreja pretende retomar as publicações na conta principal e manter o perfil reserva ativo como canal complementar. Líderes da congregação avaliam que o episódio expõe fragilidades na moderação automatizada de conteúdo sensível.

Padrão recorrente em moderação de plataformas

Casos semelhantes vêm sendo registrados em diferentes países. Organizações de direitos digitais apontam que sistemas algorítmicos tendem a sinalizar termos politicamente sensíveis sem avaliar contexto teológico ou jornalístico.

No Brasil, relatórios da Coalizão Direitos na Rede mostram aumento de 27% nas remoções indevidas de conteúdo religioso ou político entre 2022 e 2023. A maioria é revertida após repercussão pública, mas o tempo médio de resposta das plataformas ultrapassa 72 horas.

O que observar daqui para frente

A Meta não detalhou se ajustará filtros para evitar repetições. Especialistas recomendam que instituições religiosas e organizações da sociedade civil mantenham canais próprios de comunicação — site, lista de e-mail, aplicativo de mensagens — como contingência. A dependência exclusiva de plataformas terceiras continua sendo ponto único de falha.