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Flávio Bolsonaro promete banir tigrinho e cassino online se eleito; veja o que muda

Flávio Bolsonaro discursa ao microfone com fundo desfocado, gesto de mão firme
Senador promete banir cassinos online e jogo do tigrinho caso eleito presidente

O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que, se chegar à Presidência, vai proibir completamente o funcionamento de cassinos online e do popular “jogo do tigrinho” no Brasil. A declaração foi feita nesta sexta-feira (25) durante agenda no Rio de Janeiro. O parlamentar classificou as apostas digitais como uma “epidemia de endividamento” que atinge famílias inteiras.

Mas a promessa abre uma dúvida imediata: como ficam as apostas esportivas já regulamentadas e as plataformas que operam legalmente desde o governo anterior? A resposta não é simples e deve mexer com um mercado que movimenta bilhões.

O que está na mira do candidato

Flávio desenhou uma linha divisória clara. De um lado, os jogos de azar puramente digitais — slots, roletas virtuais e o “tigrinho” —, que ele quer tornar ilegais novamente. De outro, as apostas em eventos esportivos reais, como partidas de futebol, que hoje têm marco regulatório próprio.

“Eu sempre fui contra os jogos. Sou contra os jogos”, repetiu o senador. Ainda assim, admitiu que a modalidade esportiva “já é permitida no Brasil há décadas” e que, embora discorde, ela está em vigor.

  • Alvo principal: cassinos online e jogos de caça-níquel virtuais
  • Mantido (por enquanto): apostas de quota fixa em esportes reais
  • Argumento central: endividamento familiar em escala epidêmica

Crítica direta à regulamentação atual

O parlamentar atribuiu a explosão do problema à portaria que legalizou as bets durante a gestão Lula (PT). Segundo ele, a medida transformou contravenção em atividade lícita e criou a ilusão de que apostar seria “um tipo de investimento”.

Dados do Banco Central mostram que, apenas no primeiro semestre de 2024, brasileiros enviaram mais de R$ 20 bilhões para plataformas de apostas via Pix. O volume supera o orçamento anual de vários ministérios.

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor: o varejo. Entidades do comércio já relatam queda no consumo de bens não essenciais em regiões com alta penetração de aplicativos de aposta.

Segurança pública e a “guerra aos narcoterroristas”

No mesmo dia, Flávio participou da formatura de 497 novos soldados da Polícia Militar do Rio, em Sulacap. Aproveitou o palanque para prometer integração total das forças de segurança e uma ofensiva declarada contra o crime organizado a partir de janeiro de 2026.

“Vamos recuperar cada metro, cada rua, cada bairro”, disse. O termo “narcoterroristas” foi usado para classificar facções que controlam territórios urbanos. A fala sinaliza endurecimento no discurso de campanha, mas detalhes operacionais — como fontes de financiamento e coordenação federativa — não foram apresentados.

A polêmica do voo com ligação ao Banco Master

Questionado sobre a viagem de janeiro de 2025 dos EUA para o Brasil em jato administrado por empresa ligada a Daniel Vorcaro (ex-controlador do falido Banco Master), o senador foi taxativo: “Não tem absolutamente nada a ver com o Vorcaro”.

Segundo ele, o convite partiu do advogado e empresário Willer Tomaz, descrito como proprietário da aeronave. A versão contrasta com registros de propriedade fracionada que vinculam o ativo a estruturas do banqueiro. O tema deve reaparecer em sabatinas e debates.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o rumo dessa promessa de campanha:

  1. Viabilidade jurídica: revogar a Lei 14.790/2023 exige maioria no Congresso, onde o setor de bets tem lobby ativo.
  2. Impacto fiscal: a arrecadação prevista com a taxação das apostas (cerca de R$ 12 bi/ano) está no Orçamento.
  3. Reação do mercado: ações de empresas do setor já oscilam a cada fala de presidenciáveis sobre o tema.

Se a proposta avançar, o empresário que opera ou anuncia em plataformas de aposta precisará de plano B imediato. O investidor, por sua vez, deve monitorar a tramitação de eventuais projetos de lei que tentem blindar a regulamentação atual — ou acelerar sua derrubada.