O Ministério da Fazenda publicou portaria nesta sexta-feira (25) que mantém o subsídio ao diesel em R$ 2,12 por litro, evitando uma queda brusca no benefício a partir de amanhã. A medida emerge em meio à volatilidade do barril de petróleo, que teima em rondar os US$ 100, pressionada pelo conflito no Irã. Para transportadores e indústria, a notícia alivia o caixa — mas abre dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal daqui para frente.
O que muda na prática a partir de sábado
A Medida Provisória 1.363, de 30 de maio, fixava a subvenção em R$ 1,12 por litro e perde vigência neste sábado (26). Sem a portaria, o valor cairia automaticamente para zero, já que a MP 1.391 — editada em 11 de setembro — apenas autorizava a Fazenda a definir o montante, sem estabelecer piso.
O ato normativo publicado hoje preenche esse vácuo jurídico. Ele substitui o efeito da MP expirada e trava o subsídio total no patamar atual de R$ 2,12, composto pela soma dos dois instrumentos anteriores.
De onde vem o valor de R$ 2,12
- R$ 1,12/litro: base original da MP 1.363 (maio/2026)
- R$ 1,00/litro: adicional criado via MP 1.391 (setembro/2026)
- Total: R$ 2,12/litro — mantido integralmente pela portaria
A pasta frisou em nota que não há aumento de benefício, apenas a garantia de continuidade do que já vinha sendo pago.
O gatilho geopolítico por trás da decisão
A justificativa oficial aponta para a “persistência da volatilidade dos preços internacionais”. O barril de petróleo Brent segue acima de US$ 95 há semanas, com picos próximos a US$ 102, reflexo direto das tensões no Irã que ameaçam rotas de escoamento no Estreito de Ormuz.
Essa instabilidade impede que a Petrobras repasse quedas sustentadas ao consumidor final, mantendo a defasagem entre o preço de paridade de importação (PPI) e o praticado nas refinarias nacionais.
Impacto direto no custo logístico e na inflação
Para o setor de transporte rodoviário de cargas — responsável por cerca de 65% da matriz logística brasileira —, a manutenção do subsídio evita repasse imediato de até 12% no frete, segundo estimativas da CNT. Isso contém pressões sobre o IPCA, especialmente nos grupos de transportes e alimentação.
Mas o alívio tem data incerta. A portaria não define prazo de vigência, deixando o benefício exposto a novas decisões políticas ou a uma eventual queda estrutural do petróleo.
O que observar nas próximas semanas
Três variáveis ditam o rumo do subsídio daqui para frente: a evolução do barril no mercado internacional, o ritmo de arrecadação federal — que financia a subvenção via compensação fiscal — e a disposição do Congresso em converter a MP 1.391 em lei ordinária.
Se o petróleo recuar para abaixo de US$ 85 de forma sustentada, a pressão por redução do benefício deve crescer. Caso contrário, a tendência é de novas prorrogações pontuais, mantendo o cenário de incerteza regulatória para quem planeja custos logísticos no médio prazo.
