Uma nova pesquisa Vox Brasil coloca Tarcísio de Freitas (Republicanos) em posição confortável para vencer a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes já em outubro, com 56,5% das intenções de voto. A margem sobre Fernando Haddad (PT), que registra 33,4%, supera 23 pontos percentuais — diferença suficiente para liquidar a fatura no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
Mas o cenário para o Senado reserva a verdadeira incógnita: quatro nomes estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro, enquanto quase 40% do eleitorado ainda não definiu o voto. O que esses números sinalizam para o xadrez político de 2026?
O tamanho da vantagem no governo
O levantamento, realizado entre 20 e 22 de setembro com 1.480 eleitores, mostra um quadro de estabilidade para o atual governador. Na simulação de primeiro turno, a soma de todos os adversários não alcança o índice de Tarcísio.
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 56,5%
- Fernando Haddad (PT): 33,4%
- Outros candidatos: somam menos de 3,5%
- Brancos/nulos/indecisos: 7%
Na projeção de segundo turno, a distância aumenta: 58,2% a 35,1%. A margem de erro é de 2,55 pontos percentuais, com nível de confiança de 95% (registro TSE SP-07745/2026).
Senado: a batalha dos indecisos
Diferente do executivo, a corrida pelas duas vagas de São Paulo na Câmara Alta está aberta. Guilherme Derrite (PP) aparece na frente numericamente com 28,2%, mas o empate técnico envolve mais três pesos-pesos.
A configuração atual desenha um cenário de fragmentação rara:
- Guilherme Derrite (PP): 28,2%
- André do Prado (PL): 26,6%
- Marina Silva (Rede): 25,9%
- Simone Tebet (PSB): 23,1%
Ricardo Salles (Novo) surge em quinto com 11,5%. O dado mais relevante, contudo, é o contingente flutuante: 39,8% dos paulistas não sabem em quem votar para senador. Brancos e nulos somam outros 19,5%.
O que move o eleitorado paulista
A vantagem expressiva no governo sugere aprovação da gestão estadual ou, no mínimo, rejeição ao projeto de oposição encabeçado por Haddad. Para o mercado e para o setor produtivo, a continuidade administrativa costuma ser lida como previsibilidade regulatória e manutenção de agendas de concessões e infraestrutura.
Já a indefinição no Senado reflete a ausência de uma “chapa natural” atrelada ao governador. Derrite e Prado orbitam o mesmo espectro político, enquanto Marina e Tebet disputam o eleitorado de centro-esquerda — muitas vezes sobreposto ao de Haddad, que não concorre ao legislativo.
Cenários para as próximas semanas
A alta taxa de indecisos para o Senado (quatro em cada dez votos) torna qualquer projeção arriscada. Pequenas oscilações na exposição de mídia, apoios formais ou desempenho em debates podem redistribuir 10 a 15 pontos percentuais entre os quatro líderes.
Outro vetor a monitorar: a eventual nacionalização do palanque. Se a disputa presidencial polarizar Lula versus um nome da direita, a transferência de votos para o Senado tende a seguir esse eixo, beneficiando Derrite/Prado ou Marina/Tebet, respectivamente.
O que observar daqui para frente
Para quem acompanha o ambiente de negócios em São Paulo, três variáveis merecem radar nas próximas pesquisas: a solidez dos 56% de Tarcísio frente a eventuais desgastes de segundo semestre; a definição do eleitor de Haddad para o Senado (migra para Marina/Tebet ou pulveriza?); e a capacidade de Derrite ou Prado consolidar o voto bolsonarista sem canibalização mútua. O cenário de “vitória certa” no governo convive com uma incógnita legislativa que definirá a governabilidade a partir de 2027.
