A greve dos Correios terminou após 15 dias de paralisação, com trabalhadores aprovando o fim do movimento em assembleia na noite de quinta-feira (24). O retorno às atividades começou às 22h, seguindo determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Mas a normalização total do fluxo de encomendas ainda depende de detalhes que o acórdão final vai revelar.
O que o tribunal decidiu na prática
O TST julgou o dissídio coletivo e classificou a paralisação como não abusiva. Na prática, isso impede a aplicação de multas aos sindicatos e garante que os dias parados sejam compensados, não descontados. A corte fixou reajuste salarial de 4,09% e manteve 73 cláusulas do Acordo Coletivo vigente.
O acórdão, porém, ainda não foi publicado. Sindicatos como o Sintect-SP alertam que farão análise minuciosa do texto antes de orientar a base sobre os critérios exatos de reposição das horas.
Impacto direto na cadeia de entrega
Para quem depende de logística reversa, e-commerce ou envio de documentos, a volta não é imediata como ligar uma chave. Existe um “efeito sanfona”: o acúmulo de 15 dias precisa ser processado antes que a velocidade padrão retorne.
- Prazo de normalização: Estimativa do setor aponta de 5 a 10 dias úteis para zerar o backlog nas grandes capitais.
- Interior: Pode levar até 15 dias para regularização completa.
- Rastreamento: Atualizações de status podem oscilar nos primeiros dias.
Por que a paralisação travou no plano de saúde
O estopim da greve, iniciada em 10 de setembro, foi a proposta da empresa para o benefício de saúde. Os trabalhadores rejeitaram mudanças no modelo atual, onde os Correios atuam como mantenedores diretos. O receio era transferência de custos para funcionários, aposentados e dependentes.
O TST analisou o tema no dissídio, mas a redação final sobre o plano ainda não está disponível publicamente. Esse ponto permanece como uma incógnita para o orçamento das famílias e para as contas da estatal.
Compensação de horas: o nó a desatar
A determinação para compensar os dias parados é clara, mas o “como” segue em aberto. Em São Paulo, a orientação foi retorno imediato às 22h de quinta, mas sem cronograma definido para reposição.
As próximas rodadas de conversa entre diretoria do sindicato, federações e empresa definirão se haverá horas extras, sábados trabalhados ou banco de horas. Essa definição dita o ritmo operacional nas próximas semanas.
O que observar daqui para frente
Três variáveis vão ditar a confiabilidade do serviço nos próximos 30 dias: a publicação do acórdão com regras claras de compensação, a posição final sobre o custeio do plano de saúde e a capacidade operacional de absorver a demanda reprimida sem novas fricções trabalhistas. Quem tem contratos SLAs rígidos deve revisar contingências com transportadoras privadas até a poeira baixar de vez.
