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Você não vai acreditar: Exército simula guerra digital dias antes da eleição…

Especialistas do Exército em centro de operações durante exercício Guardião Cibernético com telas de monitoramento digital
Exército mobiliza 1,3 mil especialistas no Guardião Cibernético para testar defesa digital antes das eleições.

O Exército Brasileiro encerrou nesta sexta-feira (25) a oitava edição do exercício Guardião Cibernético, mobilizando 1,3 mil especialistas em uma simulação de guerra digital sem precedentes às vésperas da eleição presidencial de outubro. A operação ocorre enquanto a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) aponta risco crítico de interferência estrangeira no pleito.

O treinamento não foi apenas um exercício de mesa: reuniu 300 organizações, 14 países e seis capitais simultâneas para testar a resistência da infraestrutura que mantém o país funcionando. Mas por que escalar essa operação exatamente agora?

A anatomia do maior simulado do Hemisfério Sul

Entre 21 e 25 de setembro, Brasília, São Paulo, Recife, Curitiba, Manaus e outras duas capitais operaram como centros de comando unificados. O objetivo era replicar cenários de ataques complexos e coordenados contra setores vitais.

Diferente de edições anteriores, o foco saiu da defesa militar estrita para a proteção de serviços essenciais. A lista de setores envolvidos revela a extensão do que está em jogo:

  • Energia: geração, transmissão e distribuição elétrica;
  • Água e saneamento: sistemas de captação e tratamento;
  • Telecomunicações: backbone de internet e telefonia móvel;
  • Sistema financeiro: redes de pagamentos, bancos e Bolsa;
  • Logística e transporte: modais aéreos, portuários e rodoviários.

Segundo a nota oficial do Exército, o exercício permitiu “testar procedimentos, aperfeiçoar planos de contingência e identificar soluções para ampliar a resiliência nacional”. Em linguagem direta: descobrir onde o sistema quebra antes que um adversário real descubra.

O alerta que mudou o cronograma

A urgência tem endereço certo. Na semana passada, a Folha de S.Paulo revelou — e a TV Brasil confirmou — um relatório da Abin classificado com “nível de criticidade”. O documento, elaborado em agosto, aponta para risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições gerais de 2026.

O texto contextualiza a ameaça citando a “reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina” como prioridade do segundo governo Donald Trump. Analistas ouvidos pela reportagem alertam para a possibilidade de ações cibernéticas orquestradas pelo Estado norte-americano ou por grandes empresas de tecnologia (big techs) com capacidade de desestabilizar sistemas computacionais críticos.

O memorando da Casa Branca e o caso australiano

Em 12 de agosto, a Casa Branca publicou memorando prevendo parcerias com empresas privadas para ações que envolvem “acesso a tais sistemas de informação sem autorização do proprietário ou operador ou excedendo o acesso autorizado”. A redação técnica, no jargão de segurança, descreve operações de invasão autorizadas por lei doméstica dos EUA, mas ilegais no território alvo.

Nesta semana, a Austrália denunciou publicamente uma invasão em seu portal de estatísticas de saúde pública. A autoria atribuída: a OpenAI, dona do ChatGPT. O episódio serviu como demonstração prática de como atores corporativos globais podem acessar dados sensíveis de nações soberanas sob a égide de “pesquisa” ou “treinamento de modelos”.

O que observar daqui para frente

O Guardião Cibernético termina, mas a janela de vulnerabilidade permanece aberta até a apuração de outubro. Três variáveis definem o cenário dos próximos 30 dias:

  • Tempo de resposta: a integração entre setores públicos e privados testada no exercício será posta à prova em tempo real;
  • Atribuição de autoria: a capacidade técnica de identificar a origem de um ataque sofisticado determinará a resposta diplomática e jurídica;
  • Resiliência da urna eletrônica: embora isolada da internet, a cadeia logística de apuração e totalização depende de infraestrutura de telecom e energia simulada no exercício.

Para empresários e gestores de risco, a lição imediata é revisar planos de continuidade de negócio assumindo cenários de indisponibilidade prolongada de energia, conectividade ou sistemas bancários. O simulado do Exército mostrou que o Estado considera esse cenário provável o suficiente para mobilizar 1,3 mil pessoas. O mercado faria bem em levar a mesma hipótese a sério.