Economia

Paraíba 2026: 6 nomes, 3,2 milhões de votos — o que está em jogo no dia 4 de outubro

Mapa da Paraíba com 6 fotos de candidatos ao governo e urna eletrônica em destaque
Seis chapas disputam o Palácio da Redenção com 3,2 milhões de eleitores aptos a votar.

Seis chapas disputam o Palácio da Redenção em outubro. O colégio eleitoral de 3,2 milhões de paraibanos define não só o governador, mas o rumo de uma economia que responde por 1,9% do PIB do Nordeste. O primeiro turno é dia 4; se ninguém passar de 50% dos votos válidos, o retorno às urnas acontece em 25 de outubro.

O eleitorado revela um retrato demográfico que costuma ditar campanhas: 53% são mulheres, 62% se declaram pardos e apenas 0,7% se reconhecem como indígenas. Números que explicam por que temas como saúde materna, segurança hídrica no semiárido e cotas raciais aparecem em todos os palanques.

Quem são os seis concorrentes — e o que cada sigla sinaliza

A ordem abaixo segue o nome de urna, conforme registro no TSE:

  • Camilo Duarte (PCO) — extrema-esquerda, discurso focado em auditoria da dívida estadual e estatização de serviços essenciais.
  • Cícero Lucena (MDB) — prefeito de João Pessoa licenciado, aposta na máquina municipal e no histórico de articulação no Congresso.
  • Efraim Filho (PL) — senador bolsonarista, plataforma de desburocratização tributária e atração de indústrias via zonas de processamento.
  • Lucas Ribeiro (PP) — vice-governador atual, herda a base do governador João Azevêdo (PSB) e defende continuidade dos programas de irrigação.
  • Pedro Coutinho (DC) — discurso conservador cristão, foco em família, escola sem partido e redução de secretarias.
  • Yuri Ezequiel (UP) — candidatura de esquerda classista, pauta sindical, transporte público gratuito e taxação de grandes fortunas estaduais.

O peso do segundo turno no calendário corporativo

Se a disputa for para 25 de outubro, o vácuo de poder decisório se estende por quase um mês após o primeiro turno. Contratos de concessão, editais de PPP e nomeações para agências reguladoras costumam travar nesse intervalo. Investidores com exposição em energia solar no Sertão, logística no Porto de Cabedelo ou agronegócio no Vale do Piancó devem precificar essa janela de incerteza.

Além disso, a chapa de senador — dois titulares e quatro suplentes — terá influência direta na composição do Senado a partir de 2027. Projetos de reforma tributária, marco legal do hidrogênio verde e repactuação da dívida dos estados passam por ali.

Demografia e microtargeting: onde a eleição se decide

A concentração de 62% de eleitores pardos e 7,6% pretos torna o debate racial inevitável, mas o fator decisivo costuma ser a divisão urbano-rural. João Pessoa e Campina Grande somam 1,1 milhão de votos; o interior pulverizado responde pelo restante. Candidatos que ignoram a logística de campanha no sertão — estradas ruins, sinal de celular instável — perdem capilaridade nas últimas semanas.

Outro dado sensível: 53% do eleitorado é feminino. Pesquisas recentes mostram que saúde reprodutiva, creches em tempo integral e combate à violência doméstica movem o voto feminino mais que a média nacional. Quem não tem plano concreto para esses eixos perde meio eleitorado na largada.

O que observar daqui para frente

Até 4 de outubro, três variáveis merecem monitoramento semanal: (1) tempo de TV e rádio — o MDB e o PL lideram, mas o PP herda a fatia do PSB; (2) judicialização de pesquisas — qualquer oscilação acima de 5 pontos costuma virar ação no TRE; (3) adesão de prefeitos do interior — 223 municípios, cada um com máquina própria de mobilização.

Para o setor privado, a leitura prática é simples: mapeie quais candidatos têm equipe de transição montada antes do dia 4. Quem chega ao segundo turno com nomes para Secretaria da Fazenda, Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura já sinaliza governabilidade. O resto é ruído de campanha.