O maior colégio eleitoral do Sul escolheu seus finalistas para a única vaga ao Senado em 2026. Sete candidatos subiram ao palco da NSC TV na noite de quinta-feira, mas o formato do encontro revelou mais sobre as forças políticas do estado do que qualquer discurso.
A transmissão simultânea em TV aberta, portal g1 e duas rádios CBN garantiu capilaridade rara — mas foi a regra de participação que delimitou o jogo: apenas legendas com bancada mínima de cinco deputados federais puderam indicar nomes.
Quem sentou à mesa e o que cada sigla representa
A lista oficial reúne um espectro que vai da esquerda radical ao bolsonarismo raiz, passando pelo centro-direita tradicional. Veja a composição:
- Afrânio Boppré (PSOL) — única voz à esquerda fora do PT
- Carlos Bolsonaro (PL) — vereador carioca testando capital nacional em solo catarinense
- Carol De Toni (PL) — deputada federal mais votada do estado em 2022
- Décio Lima (PT) — ex-prefeito de Blumenau e coordenador da campanha de Lula na região
- Esperidião Amin (PP) — três vezes governador, dois mandatos no Senado, peso histórico
- Jeferson Rocha (PRD) — novato em disputa majoritária, partido nascido da fusão Patriota/PTB
- Lunelli (MDB) — empresário do setor têxtil, ex-prefeito de Jaraguá do Sul
O desenho do debate: três tempos, uma estratégia
A NSC adotou estrutura clássica com variável decisiva. Dois blocos de temas livres — onde cada campanha tenta ditar a pauta — e um bloco de tema determinado, geralmente puxado por demanda popular ou agenda econômica.
No encerramento, 1 minuto e 30 segundos por candidato. Tempo curto para síntese, longo o suficiente para erro fatal. Quem treinou soundbite leva vantagem; quem apostou em explicação técnica corre risco de ser cortado.
Por que a regra dos cinco deputados mudou o tabuleiro
A cláusula de barreira eleitoral, disfarçada de critério de representatividade, excluiu automaticamente candidaturas de partidos nanicos — Novo, UP, PCO, PCB, PSTU. Na prática, blindou o debate de fragmentação excessiva, mas também tirou da mesa vozes que poderiam forçar discussões sobre pautas específicas: meio ambiente, tecnologia, reforma tributária estadual.
Para o eleitor de negócios, o recado é claro: a disputa real ocorre entre máquinas partidárias consolidadas. O espaço para outsiders puros, em 2026, tende a zero.
Santa Catarina no radar nacional: o que está em jogo
O estado elegeu Bolsonaro no primeiro turno em 2022 (69,7% dos votos válidos) e Lula no segundo (52,3% no Nordeste, mas 38% em SC). Essa esquizofrenia eleitoral faz do Senado catarinense um termômetro de 2026.
Três variáveis decidem:
- Taxa de comparecimento — historicamente acima de 82% no estado
- Voto de legenda — PP, PL, PT e MDB somam 68% da bancada federal catarinense
- Rejeição cruzada — Amin carrega desgaste de 30 anos de poder; Bolsonaro e De Toni dividem o mesmo eleitorado
O que observar daqui para frente
O debate já foi. O vídeo está disponível nas plataformas da NSC e do g1. Assista com foco em dois indicadores: quem citou números do PIB catarinense (5,2% de crescimento em 2023, acima da média nacional) e quem evitou falar de reforma tributária — o tema que mais impacta o caixa das empresas locais nos próximos quatro anos.
O próximo movimento não é eleitoral, é legislativo. A bancada federal de SC vota em bloco nas pautas de infraestrutura (BR-470, Ferrovia Leste-Oeste, Porto de Itajaí). O senador eleito em 2026 será o articulador desses recursos. Guarde os nomes. A conta chega na próxima legislatura.
