Economia

O segredo de US$ 140 mi: por que Nvidia, OTAN e Rockefeller apostam nessa IA médica

Ilustração de DNA com chips Nvidia e símbolos de investimento representando IA médica da Basecamp Research
IA da Basecamp Research atrai US$ 140 mi de Nvidia, OTAN e Rockefeller para terapias celulares

A Basecamp Research acaba de fechar uma rodada Série C de US$ 140 milhões, elevando seu valuation para US$ 800 milhões. O que chama atenção não é apenas o valor, mas o perfil inusitado dos investidores: de gigantes de chips a fundos de defesa e filantropia. A promessa é usar IA para desenhar terapias celulares mais baratas e precisas.

A rodada foi liderada pela S32 e contou com participação da Nvidia, do Anthology Fund (ligado à Anthropic), do NATO Innovation Fund, da Fundação Rockefeller e da Singular. A demanda superou a oferta, sinalizando apetite forte por ativos que cruzam biologia computacional e deep tech.

O que a tecnologia EDEN promete mudar

No centro da aposta está a plataforma EDEN, um modelo de fundação biológica treinado com dados genômicos proprietários coletados em parcerias across mais de 30 países. Diferente de abordagens que dependem de bases públicas, a Basecamp construiu um dataset exclusivo ao mapear a biodiversidade global.

A empresa afirma que o sistema consegue gerar candidatos a medicamentos a partir da descrição de uma doença. O foco inicial são terapias in vivo — tratamentos que reprogramam as células do paciente dentro do próprio corpo, dispensando a extração, edição e reinfusão caras das abordagens atuais.

  • Custo-alvo: reduzir de “centenas de milhares de dólares por paciente” para fração desse valor.
  • Indicações: câncer e doenças autoimunes na fase inicial.
  • Estágio: resultados pré-clínicos fortes em múltiplas modalidades; sem cronograma divulgado para ensaios clínicos.

Por que a OTAN e a Rockefeller entraram nessa

A presença do NATO Innovation Fund não é decorativa. O fundo busca tecnologias de dupla utilização: civis e de defesa. A capacidade de projetar contramedidas biológicas rápidas — antídotos, vacinas ou diagnósticos — em semanas, não anos, interessa diretamente à segurança coletiva.

Já a Fundação Rockefeller aposta no potencial de democratizar o acesso a terapias avançadas. O histórico da instituição em saúde global alia-se à tese de que modelos de IA treinados em biodiversidade ampla podem acelerar soluções para doenças negligenciadas.

A Nvidia, por sua vez, reforça a aposta em AI for drug discovery, fornecendo não só capital como infraestrutura de computação para treinar a próxima geração do EDEN.

O xadrez executivo e os próximos passos

Para transformar ciência em negócio, a startup trouxe Richard Pearce, ex-executivo da Biogen, como Chief Business Officer. A missão: fechar parcerias farmacêuticas que levem os ativos gerados por IA até a clínica e, eventualmente, ao mercado.

O caixa novo deve financiar dois vetores paralelos: escalar o treinamento dos modelos de fundação e avançar o pipeline próprio rumo a estudos em humanos. A empresa não revelou datas para o primeiro IND (Investigational New Drug), mas o movimento de contratação sênior sugere urgência regulatória.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar se o valuation de US$ 800 milhões se justifica: a publicação de dados pré-clínicos revisados por pares, o anúncio de parcerias de co-desenvolvimento com big pharma e o depósito do primeiro IND. Enquanto isso, a corrida por dados genômicos proprietários — o verdadeiro “petróleo” dessa indústria — segue aberta. Quem controlar as amostras mais diversas e bem anotadas, ditará as regras do jogo.