Economia

O elo oculto entre Banco Genial, Master e US$ 12 mi para filme de Bolsonaro

Agentes da Polícia Federal cumprem mandados na Operação Carbono Oculto contra Banco Genial e Master
Operação Carbono Oculto investiga elo entre bancos, distribuidora de combustíveis e repasse de US$ 12 milhões para filme político

A terceira fase da Operação Carbono Oculto mirou direto no coração do mercado financeiro nesta quinta-feira. Um diretor do Banco Genial e o delator do caso Master estão entre os alvos de buscas que cruzam sete estados. O fio da meada leva a uma distribuidora de combustíveis e a uma remessa milionária para um filme político.

O alvo no centro do sistema financeiro

Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e a seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. A ação, autorizada pela 2ª Vara Criminal de Catanduva, estende-se por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.

O foco central é a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis, a Terrana. Investigadores do Gaeco e da Receita Federal apontam que executivos do mercado financeiro teriam participado ativamente na lavagem de dinheiro e na montagem de uma organização criminosa para assumir o controle da empresa.

A delação que conecta Bahamas, Master e Hollywood

O elo mais explosivo surge na figura de Antonio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos. Ele assinou acordo de delação premiada com a PGR no âmbito do Caso Master e foi alvo de buscas nesta fase.

Segundo os autos, Freixo era o operador de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master. A delação revela que ele seria “pioneiro nas Bahamas” na criação de estruturas offshore. O detalhe que chama atenção: sete remessas ao fundo Havengate, nos EUA, totalizando US$ 12,3 milhões em 2025, destinadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O fundo é administrado por Paulo Calixto, próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A investigação apura se a estrutura de aportes serviu para ocultar a origem dos recursos.

Engenharia societária e R$ 120 milhões em “contas de passagem”

Com base em relatórios do Coaf, documentos bancários e mensagens de celulares apreendidos, o MPSP sustenta que mais de R$ 120 milhões circularam por uma teia de empresas antes de chegar à compra da Terrana.

Entre os veículos utilizados estão:

  • Fundos de investimento: Radford, Derby 44 e Los Angeles 01;
  • Holdings de fachada: Berna Holdings Ltda e Branson Holdings Ltda, criadas meses antes da aquisição;
  • Empresas operacionais: Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.

Essas “contas de passagem” teriam servido para dissociar o capital ilícito da operação final de compra da distribuidora.

Os foragidos e a raiz no combustível adulterado

Apesar de não serem alvos desta fase, a investigação sinaliza Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”) e Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) como líderes do esquema. Ambos foram denunciados no início do mês por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica e seguem foragidos.

A acusação descreve uma engrenagem vertical: da adulteração de combustível nos postos, passando por refinarias, até o uso de fintechs para branquear o lucro. A Terrana seria a peça final para legitimar a operação em larga escala.

O que observar daqui para frente

Com a quebra de sigilos bancários e telemáticos desta quinta, a tendência é que o cerco se feche sobre a conexão entre o setor de distribuição de combustíveis e as instituições financeiras citadas. Para investidores e compliance officers, o caso acende alerta vermelho sobre a origem de recursos em fundos de private equity e a governança de corretoras e bancos médios expostos a ativos de alto risco regulatório. O próximo passo deve ser a análise do material apreendido para definir se haverá novos pedidos de prisão ou denúncias formais contra os executivos agora vasculhados.