Profissionais da rede municipal de Petrópolis iniciaram nesta quarta-feira (24) o segundo dia de paralisação de 48 horas — a segunda greve em menos de 15 dias. A categoria rejeita a proposta de reajuste salarial apenas para janeiro de 2027 e denuncia vencimentos abaixo do piso nacional.
O movimento expõe um impasse que vai além do reajuste: vale-alimentação defasado, tabelas de pagamento desatualizadas e condições de trabalho nas escolas. O que a prefeitura propôs e por que os servidores consideram insuficiente?
Duas paralisações, um mesmo recado
No dia 10 de setembro, a categoria já havia cruzado os braços por 24 horas. Na ocasião, um ato no Centro da cidade reuniu centenas de trabalhadores. A nova paralisação, anunciada previamente pelo sindicato, começou na terça-feira (23) com concentração em frente à Secretaria Municipal de Educação e à Câmara de Vereadores.
Nesta quarta, a manifestação ganhou as ruas: passeata pela região central com encerramento em frente à Prefeitura. A adesão, segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), superou a do movimento anterior.
O que está na mesa de negociação
Três eixos centram as reivindicações:
- Reajuste salarial imediato — a proposta do Executivo prevê pagamento apenas em janeiro de 2027;
- Vale-alimentação — valor atual considerado incompatível com a inflação dos alimentos;
- Correção de tabelas — funções com vencimentos abaixo do piso nacional do magistério.
“Não podemos aceitar que profissionais recebam abaixo do piso. É inadmissível”, afirmou Rose Silveira, representante do Sepe. A entidade também cobra melhorias na merenda escolar e nas condições físicas das unidades.
Versão da prefeitura: surpresa e portas abertas
Em nota oficial, a administração municipal declarou ter recebido “com surpresa” a manutenção do estado de greve. Segundo o governo, uma reunião realizada no início da semana apresentou propostas para atender às demandas. O Executivo reforça que o canal de diálogo permanece aberto.
A discrepância entre “surpresa” da gestão e “anúncio prévio” do sindicato revela a profundidade do desgaste na negociação. Não há, até o momento, nova data agendada para rodada de conversas.
O que observar nos próximos dias
Três variáveis definirão o desdobramento: a disposição da prefeitura em antecipar o cronograma de reajuste, a capacidade de mobilização da categoria para sustentar a pressão e a eventual mediação da Câmara de Vereadores. O ano letivo segue, mas o clima nas escolas permanece tenso — e a conta, no fim, costuma chegar para alunos e famílias.
