Justiça

Apartamento de Ana Hickmann vai a leilão por R$ 11,3 mi: assinatura contestada e disputa judicial travam venda

Apartamento de luxo em Perdizes, São Paulo, envolvido em leilão judicial de Ana Hickmann
Imóvel de Ana Hickmann em Perdizes vai a leilão com lance mínimo de R$ 4,16 milhões.

Um imóvel de alto padrão em Perdizes, São Paulo, está com lance mínimo de R$ 4,16 milhões em leilão judicial que se encerra em 8 de outubro. A diferença: a dona contesta a dívida que originou a execução e alega falsificação de assinatura em contrato de empréstimo.

O apartamento, avaliado em R$ 5,2 milhões, pertence à Hickmann Serviços Ltda. A credora é a Ice Propaganda Ltda., que cobra R$ 11,3 milhões atualizados até fevereiro de 2026. Ana Hickmann e o ex-marido Alexandre Correa figuram como fiadores no documento sob investigação.

O imóvel que virou peça central da disputa

Localizado no térreo do Edifício IV do Conjunto Perdizes Nobre, o apartamento garden tem 251,50 m² de área coberta e 156,24 m² de área descoberta privativa. São seis vagas de garagem, três suítes, sala para três ambientes, churrasqueira coberta e ampla área externa que circunda a unidade.

O laudo pericial classifica o imóvel como residencial de padrão fino. O condomínio oferece piscinas coberta e descoberta, academia, quadra poliesportiva, sauna, salão de festas e brinquedoteca. No momento do edital, o imóvel estava desocupado e sem débitos de IPTU ou condomínio até julho de 2026.

  • Área total: 672,38 m² (incluindo áreas comuns)
  • Avaliação judicial: R$ 5,2 milhões
  • Lance mínimo (80%): R$ 4,16 milhões
  • Encerramento do leilão: 8 de outubro, 16h
  • Plataforma: Alienajud (exclusivamente online)

Assinatura sob perícia e investigação criminal

A defesa de Ana Hickmann afirma que a assinatura dela no contrato de setembro de 2023 foi forjada pelo então marido, que gerenciava a empresa. O documento está sob investigação no DEIC, e a perícia grafotécnica já foi aprovada pela Justiça.

Laudos anteriores já identificaram falsificações da assinatura da apresentadora em contratos com Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Safra, segundo a nota da assessoria. Processos cíveis e criminais correm em paralelo para apurar a autoria.

O que o Tribunal decidiu até agora

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o leilão, mas determinou que o imóvel não pode ser transferido ao arrematante até decisão definitiva sobre a validade da assinatura. Na prática, quem der o lance vencedor terá de aguardar o desfecho judicial — que não tem prazo definido — para tomar posse.

A matrícula do imóvel carrega outras penhoras: registros de 50% do bem e de 100%, oriundos de execuções movidas por instituições financeiras contra Alexandre Correa. Há ainda hipoteca em favor do Itaú Unibanco, Itauleasing e Itaucard.

Consequência prática para eventuais compradores

O edital deixa claro: a arrematação não garante posse imediata. O comprador assume a posição processual e fica sujeito ao resultado da perícia e dos recursos em andamento. Se a assinatura for declarada falsa, a execução pode ser anulada e o leilão, tornado sem efeito.

Enquanto isso, a dívida de R$ 11,3 milhões segue cobrada na 33ª Vara Cível do Foro Central. A apresentadora também enfrenta outras ações, como bloqueio de veículos da empresa por cheques sem fundo de R$ 117 mil.

O que observar daqui para frente

A perícia grafotécnica é o divisor de águas. Seu laudo pode derrubar a execução principal ou confirmar a dívida, definindo o destino do imóvel e abrindo precedente para as demais ações onde a assinatura é contestada. Para investidores, o leilão representa oportunidade com risco jurídico elevado: capital imobilizado por tempo indeterminado e possibilidade de perder o bem se a fraude for comprovada. Acompanhar o andamento do inquérito no DEIC e da ação na 33ª Vara Cível é essencial antes de qualquer lance.