A Prefeitura de Feira de Santana ativou o primeiro Polo de Ciência e Tecnologia do município, instalado no bairro Mangabeira, com cursos gratuitos que miram direto na empregabilidade. A estrutura nasce de uma parceria com a Associação São Brás e já está com inscrições abertas para o bimestre inicial. O detalhe que muda tudo: não é preciso comprovar experiência prévia.
O equipamento começou a funcionar na sexta-feira (18) sob gestão da Fundação Municipal de Ciência e Tecnologia Egberto Tavares Costa (Funtitec). A proposta vai além de oferecer aulas: busca descentralizar o acesso à inovação, levando qualificação para onde a demanda por emprego costuma ser mais aguda.
O que está na grade — e quantas vagas existem
No primeiro bimestre, cada turma comporta 40 alunos. A programação cobre três frentes com dias fixos:
- Informática Básica: segundas e quartas-feiras
- Pacote Office: terças e quintas-feiras
- Introdução à Inteligência Artificial: sextas-feiras
O módulo de IA é o diferencial competitivo. Enquanto a maioria dos polos comunitários ainda foca só em digitação e planilhas, Feira de Santana aposta no primeiro contato com inteligência artificial generativa e ferramentas de produtividade assistida — conhecimento que já aparece como requisito em vagas de nível médio e técnico.
Como garantir a vaga (e o que ninguém avisa no edital)
O cadastro é exclusivamente presencial, na sede da Associação São Brás. Não há formulário online, nem agendamento por telefone. Quem chega primeiro, preenche a ficha e garante o lugar. A recomendação prática: vá cedo nos primeiros dias de inscrição e leve documento com foto, CPF e comprovante de residência.
Outro ponto que passa despercebido: as máquinas antigas do laboratório foram integralmente substituídas por equipamentos novos. Isso elimina o gargalo de hardware defasado que costuma travar aulas de IA e Office avançado. A troca foi confirmada pelo vice-presidente da associação, Hamilton dos Santos, que acompanhou a força-tarefa para viabilizar o espaço.
Por que o bairro Mangabeira foi o escolhido
A localização não foi aleatória. Mangabeira concentra adensamento populacional alto e índice de vulnerabilidade social que torna o deslocamento até centros de capacitação distantes uma barreira real. Segundo o diretor-presidente da Funtitec, Antônio Carlos Daltro Coelho, o polo funciona como “alternativa real de desenvolvimento e geração de renda” para moradores que antes precisavam gastar tempo e dinheiro com transporte para acessar cursos equivalentes.
A estratégia de descentralização deve se repetir. A gestão municipal sinaliza que outros bairros podem receber unidades semelhantes caso a adesão e a taxa de conclusão do primeiro ciclo superem as metas internas — hoje estimadas em 75% de aproveitamento por turma.
O que observar daqui para frente
Três indicadores vão ditar se o modelo escala ou estaciona: taxa de conclusão dos 40 alunos por turma, inserção no mercado de trabalho em até 90 dias pós-curso e demanda por nível intermediário (que ainda não existe na grade). Se a IA introdutória gerar fila de espera, a tendência natural é a abertura de módulos de prompt engineering, automação com no-code e análise de dados — competências que o mercado local já cobra e que não exigem graduação.
Para quem atua em recrutamento, capacitação corporativa ou políticas públicas: o polo de Mangabeira vira case de monitoramento. A combinação de gratuidade, hardware atualizado e currículo com IA no primeiro bimestre é rara no interior do Nordeste. Quem chegar primeiro nas próximas turmas — e quem contratar esses formandos — larga na frente.
