Economia

O segredo por trás dos US$ 908 bi de Musk: por que ele perdeu o título de trilionário

Elon Musk, CEO da SpaceX e Tesla, em retrato profissional; artigo sobre queda de patrimônio para US$ 908 bi
Elon Musk perde status de trilionário com queda de 34% nas ações da SpaceX, mas segue no topo da Forbes 400.

Elon Musk lidera a Forbes 400 pelo quinto ano seguido com patrimônio de US$ 908 bilhões, mas caiu do posto de trilionário que ocupou por semanas. A queda de 34% nas ações da SpaceX explica o recuo — e revela como seu império mudou de eixo.

O ganho de US$ 480 bilhões em 12 meses bate recordes, mas a volatilidade expõe um risco que poucos calculam.

O efeito SpaceX: de IPO estratosférico à correção brutal

A abertura de capital da SpaceX em junho catapultou a fortuna de Musk para US$ 1,3 trilhão. Os papéis subiram até valer a empresa em quase US$ 2 trilhões. Desde o pico, porém, caíram 34% — fechando apenas 10% acima do preço inicial.

Musk detém 38% da companhia, incluindo opções. Mesmo com a correção, a participação vale o suficiente para mantê-lo no topo com folga.

Jeff Bezos, segundo colocado, tem US$ 378 bilhões. A diferença de US$ 530 bilhões entre os dois é maior que o PIB de países como Argentina ou Suécia.

Por que Bezos subiu e Ellison despencou

A valorização da Blue Origin, avaliada agora em US$ 130 bilhões (contra US$ 29 bilhões no ano anterior), recolocou Bezos na vice-liderança. Ele possui 100% da empresa de foguetes.

Larry Ellison, da Oracle, era o número dois em 2024. Caiu para sétimo com US$ 204 bilhões — perda de US$ 72 bilhões. A distância para Musk saltou para US$ 704 bilhões.

Tesla: de pilar central a fatia minoritária

Em 2022, ações e opções da Tesla representavam quase 75% da fortuna de Musk. Hoje, a participação direta caiu de 24% para 11% após vendas de US$ 23 bilhões para comprar o Twitter.

A Forbes excluiu do cálculo cerca de US$ 100 bilhões em opções restantes. Elas viraram ações restritas sob acordo de abril que exige permanência como CEO até janeiro de 2028.

As ações da Tesla ainda sobem 25% em quatro anos e 6% no último ano. Mas o peso no portfólio encolheu.

O tabuleiro de xadrez das empresas de Musk

  • SpaceX: avaliada em ~US$ 2 tri; 38% de Musk
  • xAI + Twitter: fusão em fevereiro a US$ 1,25 tri combinados
  • Boring Company: captação recente a US$ 23 bi; adicionou US$ 10 bi à fortuna
  • Tesla: 11% diretos + opções restritas (fora do cálculo)

A aquisição da xAI pela SpaceX em fevereiro mostrou que Musk move peças entre suas empresas com liberdade. Analistas não descartam que a SpaceX venha a comprar a Tesla — manobra que contornaria as restrições das opções atuais.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam se Musk volta ao clube do trilhão: desempenho operacional da SpaceX, execução da xAI e eventual reestruturação societária entre suas empresas. A Boring Company, embora menor, mostrou que novas captações podem injetar bilhões rapidamente.

O acordo de permanência na Tesla vence em janeiro de 2028. Até lá, as opções restritas seguem fora do patrimônio líquido calculável. Qualquer mudança nesse contrato — ou fusão com a SpaceX — reescreve a conta.

Para investidores e observadores de mercado, o sinal está na correlação entre avaliações privadas e liquidez real. Musk continua no topo, mas a arquitetura da fortuna dele nunca esteve tão descentralizada.