A candidata ao governo do Acre pelo PP, Mailza Assis, enfrentou a sabatina do JAC1 nesta quinta-feira (17) e trouxe respostas diretas sobre os pontos mais sensíveis da campanha: a legitimidade do seu mandato, a aliança com Gladson Cameli e o baixo índice de promessas cumpridas pela gestão atual. A entrevista durou 25 minutos.
Ela assumiu o governo há cinco meses, após a renúncia de Cameli para disputar o Senado. A grande pergunta que fica: como uma gestão que cumpriu apenas 9 de 36 promessas em três anos e meio convence o eleitor de que o novo plano será diferente?
A defesa do “voto indireto” e a chapa feminina
Questionada sobre nunca ter disputado uma eleição majoritária como cabeça de chapa, Mailza foi taxativa: considera-se votada por ter integrado a chapa vencedora em 2014, que a levou ao Senado em 2018 e ao governo em 2022 como vice.
Argumento central: “Uma chapa não se forma sem um vice-governador. Fui escolhida e, reconhecendo também o meu trabalho, trabalhei durante todo esse tempo.”
A aposta na chapa 100% feminina com Jéssica Sales (MDB) como vice foi apresentada como trunfo, não risco. Ex-deputada federal por dois mandatos, médica e natural do Juruá, Sales traz capilaridade na região e perfil técnico. Mailza afirmou que a receptividade tem sido positiva e que a composição “em nenhum momento tem me prejudicado”.
O legado das promessas não cumpridas
O projeto “Promessas dos Políticos”, do g1, aponta que o governo Cameli cumpriu 9 das 36 promessas em 42 meses — taxa de 25%. Mailza não contestou o dado, mas redefiniu o enquadramento:
- Plano de governo anterior = “projeto”, “sonho”, “ideal”
- Limitações financeiras e crises impediram execução total
- Novo plano = “exequível”, “possível de entregar”
A distinção é estratégica: separa a gestão passada da futura, sem romper com o aliado. Mas transfere para si a cobrança por entregas concretas.
Relação com Cameli: aliança mantida, mandatos separados
Sobre o ex-governador, hoje candidato ao Senado, Mailza disse que a parceria política permanece — “planejamos juntos e fizemos esse trabalho”. Porém, fez questão de demarcar território: “Ele responde pelo exercício do mandato dele como governador, e eu responderei pelo meu exercício.”
A frase funciona como seguro político: mantém a base aliada, mas sinaliza autonomia decisória caso eleita.
Segurança, saúde e a BR-364: o que está na mesa
No enfrentamento à violência contra a mulher, a candidata listou estruturas ampliadas na gestão atual:
- Delegacias especializadas reformadas e expandidas
- Centros de atendimento em Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia e Rio Branco
- Espaços dedicados dentro das delegacias para vítimas
“Nenhuma mulher fica sem ser assistida em nenhum município”, garantiu.
Na saúde, destacou mais de 6 mil cirurgias realizadas nos últimos meses e a entrega da primeira fase da nova maternidade — projetada para concentrar do pré-natal a cirurgias de alta complexidade, menopausa e atendimento adolescentil. São três fases no total.
Sobre a BR-364, reconheceu que a responsabilidade é federal, mas prometeu articulação: “Unir a nossa bancada, conversar com o Governo Federal para aportar mais recursos e resolver definitivamente o problema.” Desde 2019, no Senado, participa de discussões sobre tecnologias para aumentar a durabilidade da rodovia.
Educação e corrupção: a linha de defesa
Nos casos investigados na Secretaria de Estado de Educação (SEE-AC), Mailza usou o argumento da hierarquia: como vice, não era ordenadora de despesas nem tomava decisões administrativas. “Havia um secretário titular responsável.”
Prometeu tolerância zero: “Dou total liberdade, a apuração precisa ir até o fim e quem fez vai pagar. Isso é óbvio e não tem como eu dizer que isso não será combatido no meu governo.”
No acesso à educação rural, apontou a necessidade de adaptar obras e estrutura à realidade de ramais, secas e cheias — problema histórico no estado.
Saneamento e o papel do Estado
Embora água e esgoto sejam atribuição municipal, Mailza defendeu parcerias estaduais para “trazer água limpa em quantidade certa” e restabelecer políticas públicas com mais eficiência. Sem detalhar valores ou metas, manteve o discurso no campo da cooperação federativa.
O que observar daqui para frente
A sabatina encerra a rodada de entrevistas da Rede Amazônica com os cinco primeiros colocados na pesquisa Quaest (mínimo 5% na estimulada). O próximo evento decisivo é o debate ao vivo entre candidatos ao Senado, marcado para 25 de setembro.
Para o eleitor acreano, três variáveis devem ditar o ritmo da campanha nas próximas semanas: a capacidade de Mailza descolar a imagem do baixo cumprimento de promessas da gestão anterior, a efetividade da chapa feminina na captação de votos no interior — especialmente no Juruá — e a resposta do eleitorado ao discurso de “plano exequível” versus “sonho não realizado”. O tempo de TV e a máquina administrativa nas mãos da candidata desde abril são ativos que ainda não foram totalmente testados nas urnas.
