O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 86,7 milhões em dois financiamentos para o Grupo Bauminas expandir a produção de químicos para saneamento. A fatia mais relevante financia uma planta que promete eliminar a geração de barragens de rejeitos no processo.
O aporte divide-se em inovação tecnológica e modernização de ativos, mas é a nova unidade de Uberlândia (MG) que carrega o diferencial ambiental capaz de redesenhar custos operacionais do setor.
Dois contratos, uma estratégia única
O pacote aprovado pelo banco de fomento tem duas frentes distintas. A primeira, de R$ 48,7 milhões, vem do programa BNDES Mais Inovação e viabiliza a construção da nova fábrica no complexo cloroquímico mineiro.
O segundo contrato, de R$ 38 milhões, enquadra-se no Programa BNDES Máquinas e Serviços. Funciona como um limite de crédito rotativo para três empresas do grupo — Bauminas Química N/NE, Bauminas Química e Bauminas Log e Transportes — destinado à aquisição de equipamentos industriais, sistemas de automação, bens de informática e máquinas importadas sem similar nacional.
Uberlândia: localização, escala e matéria-prima na porta
A nova unidade ocupará 19.646 m² de terreno, com 2.452 m² de área construída. A capacidade projetada é de até 9,3 mil toneladas mensais de coagulantes poliméricos da linha Polifer, essenciais para o tratamento de água e efluentes.
A escolha do complexo em Uberlândia não foi por acaso. A região oferece sinergia logística imediata:
- Fornecimento de ácido clorídrico por indústrias vizinhas;
- Acesso direto a jazidas de bauxita;
- Infraestrutura de transporte já consolidada.
O segredo que dispensa barragens de rejeitos
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a inovação central do projeto está na rota de processo. A tecnologia desenvolvida permite o aproveitamento direto da bauxita, dispensando a etapa tradicional de separação prévia do alumínio.
Na prática, isso significa dois ganhos simultâneos: um coagulante com performance superior aos atuais do mercado e a eliminação da geração de rejeitos que, historicamente, exigem barragens de contenção — um passivo ambiental e financeiro relevante para a indústria química.
Modernização transversal em 15 estados
O financiamento de R$ 38 milhões para máquinas e equipamentos atende a capilaridade do grupo. A Bauminas opera hoje 26 unidades produtivas distribuídas por 15 estados, empregando diretamente mais de mil pessoas.
O crédito rotativo garante agilidade na reposição e atualização de ativos — de sistemas de automação a caminhões-tanque para a divisão de logística — sem a burocracia de novos pleitos a cada necessidade pontual.
O que observar daqui para frente
A entrada em operação da planta de Uberlândia, prevista para os próximos ciclos de investimento, será o termômetro real da viabilidade econômica da rota “bauxita direta”. Se a redução de custos com disposição de resíduos e aquisição de matéria-prima se confirmar na escala industrial, a tendência é de migração gradual das demais unidades do grupo para a nova tecnologia.
Para o mercado de saneamento, o movimento sinaliza uma corrida por coagulantes mais eficientes e limpos — ativo estratégico num cenário de marco regulatório que exige universalização do tratamento de esgoto até 2033.
