Economia

Eleição 2026: O empate técnico que esconde uma virada de jogo na economia

André Esteves cravou: a disputa pelo Planalto será decidida por uma margem mínima de 51% a 49%, mas o vencedor herdará um país estruturalmente mais sólido do que em 2002 ou 1994. A frase, dita em evento nesta segunda-feira (14), resume o cenário de incerteza política que convive com uma janela de oportunidade fiscal rara.

O presidente do BTG Pactual não arriscou um palpite sobre quem assume em 2027. Em vez disso, desenhou um mapa onde a política está travada, mas a economia tem rota clara — desde que o Brasil complete o “último passo” para a estabilidade: juros civilizados.

O que a pesquisa Nexus/BTG revela sobre o tabuleiro

O levantamento divulgado hoje pelo banco em parceria com a Nexus traz números que explicam a cautela de Esteves. No cenário simulado de primeiro turno para 2026:

  • Lula (PT): 40% das intenções de voto
  • Flávio Bolsonaro (PL): 36%, fora da margem de erro
  • Augusto Cury (Avante): pontua em cenários de segundo turno

No segundo turno, porém, a vantagem evapora. O petista empata tecnicamente contra ambos os adversários testados. A leitura é direta: a eleição vai para o segundo turno e a definição depende de variáveis que ainda não estão postas na mesa.

Por que o “país arrumado” muda a equação do risco

Esteves destacou que, independente do vencedor, a herança será diferente das transições anteriores. O argumento baseia-se em um acúmulo de “escolhas mais certas do que erradas” feitas pela sociedade nas últimas décadas.

Isso não significa que o trabalho acabou. Pelo contrário: o executivo aponta que a consolidação da estabilidade exige derrubar a Selic dos atuais 14% para algo próximo de 7%. Para ele, esse movimento — uma redução de 50% no custo do dinheiro — tem impacto social superior a qualquer programa de transferência de renda.

O corte de 0,25% desta quarta e o caminho até 7%

O Copom se reúne na quarta-feira (16) e o mercado precifica novo corte de 0,25 ponto percentual. É um passo na direção apontada por Esteves, mas a distância até o “patamar civilizado” ainda é longa.

O presidente do BTG foi taxativo sobre o que trava essa queda estrutural: o lado da receita. Segundo ele, o volume de títulos isentos de tributação “é um absurdo”, mesmo admitindo ser emissor e detentor desses papéis.

A correção desse desequilíbrio fiscal, nas palavras dele, passa por dois vetores simultâneos:

  • Controle rigoroso das despesas públicas
  • Revisão das isenções que erodem a base arrecadatória

O que observar daqui para frente

A próxima reunião do Copom será o termômetro imediato da disposição do Banco Central em acelerar o ciclo de cortes. Mas o sinal estrutural virá do debate sobre a reforma tributária e a taxação de fundos imobiliários, LCIs, LCAs e debêntures incentivadas — os “títulos isentos” citados por Esteves.

Para o investidor e o empresário, a mensagem é clara: o ruído eleitoral de 2026 será alto, mas a variável que define retorno de capital e custo de financiamento nos próximos anos é a trajetória dos juros reais. Quem conseguir antecipar a velocidade da convergência para um dígito baixo sairá na frente — independente de quem ocupe o Planalto em 2027.