Economia

O segredo para atrair dólares: o que Lula e Flávio Bolsonaro não contam nos planos

Lula e Flávio Bolsonaro em debate sobre planos econômicos 2026 e investimento estrangeiro
Os dois líderes nas pesquisas 2026 apresentam modelos opostos para atrair capital externo ao Brasil.

Lula e Flávio Bolsonaro lideram as pesquisas para 2026, mas seus programas econômicos divergem radicalmente na forma de trazer capital estrangeiro para o Brasil. A diferença não está no discurso — está no risco que cada modelo transfere para o contribuinte.

Produzir no país não depende só de dinheiro nacional. Multinacionais, fundos e bancos externos financiam usinas, fábricas e tecnologia. A questão central é: por que escolheriam o Brasil em vez de México, Vietnã ou Indonésia?

O modelo Lula: dinheiro público como isca

O Eco Invest, lançado em 2024, continua como peça central. A promessa: usar recursos do Tesouro para alavancar projetos “verdes”, oferecendo até proteção cambial para quem se endividar em dólar. O Fundo Clima, operado pelo BNDES, completa a engrenagem com crédito subsidiado para empreendimentos climáticos.

O mecanismo atrai parceiros estrangeiros, mas o desembolso inicial sai do bolso do brasileiro. Não há, nos documentos, a métrica decisiva: quantos dólares privados cada real público consegue puxar. Sem esse multiplicador, o programa vira subsídio disfarçado.

O risco cambial, se materializado, migra para a dívida soberana. Em cenário de desvalorização forte, a conta chega via juros maiores ou inflação.

O modelo Flávio Bolsonaro: abrir as porteiras

A aposta é regra clara e custo menor. Adesão à OCDE — prometida desde 2017, travada nos governos Temer, Bolsonaro e Lula — funcionaria como selo de governança para estatais e marco regulatório. Para um CEO comparando países, previsibilidade vale mais que incentivo fiscal.

Outra frente: zerar o IOF sobre câmbio e baratear importação de máquinas, tecnologia e insumos. Importar equipamento não traz capital, mas reduz o Capex de quem decide instalar fábrica aqui. A conta final do investimento melhora.

O entrave não está no papel. A “taxa das blusinhas” e a taxação do aço chinês mostram como setores organizados pressionam contra abertura ampla. Qualquer avanço exige enfrentar lobbies poderosos no Congresso.

O que separa discurso de resultado

  • Alavancagem real: no modelo de subsídio, falta a razão entre dinheiro público e privado captado.
  • Distribuição de risco: quem paga se o dólar sobe 30% — o investidor ou o Tesouro?
  • Barreiras efetivas: quais normas, tributos ou burocracias serão revogadas no primeiro ano?
  • Cronograma OCDE: sem data, a promessa vira intenção.

Ambos os lados evitam detalhar. Planos de governo funcionam como redações escolares: feitos para passar, não para executar. A diferença é que, aqui, a reprovação custa PIB.

O que observar nos próximos meses

Não espere respostas nos palanques. Acompanhe três sinais concretos: (1) se o Eco Invest divulga sua taxa de alavancagem histórica; (2) se o Congresso avança em pautas de abertura comercial sem exceções setoriais; (3) se o Itamaraty apresenta roteiro com marcos para adesão à OCDE. Quem apresentar números primeiro sai na frente — não na eleição, mas na capacidade de governar.