O candidato do PL ao governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe, apresentou nesta segunda-feira (14) um pacote de medidas que vai da extinção de cerca de mil normas burocráticas à instalação de 200 mil câmeras com reconhecimento facial. A entrevista ao MG1 marcou o início da série com os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha de 11 de setembro.
Empresário e ex-presidente do Sistema Sesi/Senai por oito anos, Roscoe aposta na gestão técnica como diferencial. Mas será que as propostas resistem ao teste da realidade orçamentária e institucional?
O choque de gestão prometido para o primeiro dia
A bandeira central da campanha é a desburocratização por decreto. Roscoe afirma que cancelará aproximadamente mil normas consideradas ineficientes logo no início do mandato. A justificativa: “Tirar a burocracia de cima do cidadão mineiro” para dinamizar a atividade econômica.
Na visão do candidato, a subjetividade nos critérios decisórios é a porta de entrada para a corrupção. A solução proposta é tornar todos os parâmetros objetivos, eliminando margem de interpretação. Especialistas em administração pública alertam, porém, que a revogação em massa de normas exige análise jurídica caso a caso para evitar vazios regulatórios.
Dívida com a União: renegociação e crescimento
Sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), Roscoe classificou como “mal necessário” e promete renegociar. A estratégia para honrar os compromissos passa pelo crescimento da receita via expansão econômica, não por aumento de carga tributária.
O candidato vincula diretamente a saúde financeira do estado à qualidade dos serviços públicos. Segurança, saúde e educação, segundo ele, são pré-condições para atrair investimentos industriais. “Se a sociedade vai mal, a indústria desse lugar vai mal”, resumiu.
Educação: creches regionais e transporte para bebês
Uma das propostas mais debatidas prevê creches regionais com transporte escolar para crianças de zero a três anos. Roscoe defende a viabilidade econômica e a natureza opcional do serviço: “É melhor do que não ter a creche, né? Que é o que acontece hoje.”
O modelo prevê ganhos de escala na gestão para otimizar recursos finitos. Críticos apontam desafios logísticos em um estado com 853 municípios e realidades geográficas distintas. O candidato também critica o atraso tecnológico das escolas estaduais, descrevendo-as como “na época do meu avô” diante de alunos nativos digitais.
- Creches regionais com transporte para bebês (0 a 3 anos)
- Modernização tecnológica das escolas estaduais
- Valorização do funcionalismo como condição para melhorar serviços
- Gestão por resultados para reduzir desperdício de recursos
Segurança: tecnologia massiva e aposta na prevenção de longo prazo
O plano prevê 200 mil câmeras com reconhecimento facial nos principais pontos do estado para restringir a circulação de foragidos. A medida mira resultados imediatos, mas Roscoe admite que a transformação sustentável — especialmente no feminicídio, onde Minas ocupa o segundo lugar nacional segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública — depende de educação.
Sobre as 70 delegacias especializadas para atender 853 municípios, o candidato propõe medidas paliativas de contenção da violência geral, combinadas com formação educacional de meninos para colher frutos daqui a 15 anos. A dualidade entre resposta imediata e mudança cultural é o eixo da proposta.
O posicionamento sobre urnas e STF
Questionado sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, Roscoe defendeu o voto impresso como forma de “acabar com suspeitas”. Citou ataques cibernéticos a órgãos públicos como argumento e questionou: “Se não tem problema nenhum, qual é o problema de conferir?”.
O candidato negou que a defesa do comprovante físico abra margem para contestar resultados. Para ele, a contagem física traria “segurança absoluta”. Também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal, alinhando-se ao discurso de sua base política.
O que observar nas próximas semanas
A série de entrevistas do MG1 segue até sábado (19). Os demais cinco candidatos terão o mesmo espaço para detalhar propostas sobre dívida pública, segurança, educação e relação com instituições federais. O eleitor mineiro terá, portanto, base comparativa direta entre visões de gestão técnica, pautas ideológicas e modelos de financiamento das promessas de campanha.
Dois pontos merecem atenção especial: a viabilidade jurídica da revogação em massa de normas por decreto e a capacidade de financiamento do aparato tecnológico prometido para segurança sem comprometer outras áreas. As respostas dos concorrentes — e os eventual contra-argumentos de Roscoe nos debates — definirão o tom da reta final.
