Rodrigo Bocardi foi afastado às pressas do SBT Cidades menos de dois meses após a estreia, jogando a emissora de volta na estaca zero do horário das 17h às 19h. A faixa, que já derrubou cinco apresentadores em dois anos, agora tem um problema a mais: acusações de extorsão contra o próprio jornalista.
O apresentador nega tudo, mas o estrago já está feito. Enquanto a direção tenta entender o próximo passo, a concorrência agradece.
O efeito dominó que ninguém previa
O SBT Cidades vinha fazendo algo raro: ganhando da Band no confronto direto. Dados internos mostram que o jornalístico acumulava mais vitórias do que derrotas no Ibope paulistano — um feito que nem Datena conseguiu em seis meses de Tá na Hora.
No dia 10 de setembro, mesmo com Bocardi já afastado, a atração cresceu 24% nos números preliminares. O público, parece, não abandonou o formato.
Mas a direção não quis arriscar. A suspeita de que o âncora usava o microfone para pressionar prefeituras em troca de silêncio mudou a equação de risco da noite para o dia.
Uma faixa que engole apresentadores
Desde o fim do Casos de Família, em 2023, o fim de tarde do SBT virou cemitério de formatos:
- Tá na Hora (2024–2025): Christina Rocha durou semanas; Márcia Dantas, nove anos de casa, saiu magoada; Datena pediu demissão em seis meses.
- Aqui Agora (2025–2026): Dani Brandi e Felipe Macedo não tiveram química; Geraldo Luís ficou quatro meses e saiu com o ibope no chão e o comercial vazio.
- SBT Cidades (agosto–setembro de 2026): Bocardi afastado em tempo recorde.
O denominador comum? A concorrência é brutalmente consolidada. Cidade Alerta na Record e Brasil Urgente na Band dominam o imaginário do telespectador há décadas com policialesco puro. Tentar “serviço” no meio disso é nadar contra a corrente.
Por que o mercado publicitário fugiu do “mundo cão”
O Aqui Agora não morreu só por ibope. O apelo sensacionalista — sangue, gritaria, choro — assustou anunciantes. Agências relatam que clientes de varejo, bancos e telefonia pediram para não aparecer no intervalo.
Com Bocardi, a promessa era outra: jornalismo de serviço, credibilidade, “versão de baixo orçamento do Bom Dia São Paulo“. O formato até funcionava nos números, mas a reputação do titular virou passivo.
O que observar daqui para frente
Três cenários estão na mesa da direção nos próximos dias:
- Interino interno: um nome da casa (Carlos Nascimento? César Filho?) assume enquanto se desenha algo novo — barato e rápido.
- Formato de prateleira: reprise de novelas ou sessão de filmes para estancar a sangria comercial sem investir em produção ao vivo.
- Grande aposta 2027: contratar um medalhão livre no mercado ou reformular a grade toda, jogando o jornalismo para outro horário.
Enquanto isso, a Band consolida o terceiro lugar em São Paulo e a Record lidera folgada. O SBT, pela primeira vez em décadas, não tem “plano B” pronto para o fim de tarde. O próximo capítulo não será televisionado — será decidido em reuniões fechadas entre acionistas e o departamento comercial. Quem viver, verá.
