Cultura

Amazonas no Top 3: 10 artesãos levam prêmio nacional e selo de 3 anos

Artesãos amazonenses exibem peças premiadas no Sebrae TOP 100 de Artesanato
Amazonas conquista 3º lugar nacional com 10 artesãos premiados no Sebrae TOP 100.

O Amazonas garantiu a terceira posição entre os estados com mais vencedores na 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, conquistando dez vagas na lista das cem melhores unidades produtivas do país. O resultado coloca o estado à frente de polos tradicionais como Bahia, Goiás e Pernambuco. Mas o troféu é apenas a porta de entrada: o verdadeiro prêmio está no acesso direto a compradores e na chancela de mercado que vale por três anos.

Os números que colocaram o estado no pódio

Foram 64 inscrições amazonenses, das quais 21 avançaram para a fase nacional. Dessas, dez cruzaram a linha de chegada. Minas Gerais liderou isolado com 21 premiados, seguido por Alagoas e Piauí, empatados com 11. O Amazonas aparece sozinho na terceira colocação com dez representantes, superando estados com economias artesanais historicamente mais visíveis.

  • Inscritos (AM): 64 unidades
  • Classificados à etapa nacional: 21
  • Vencedores finais: 10
  • Total de inscrições no Brasil: 1.647

Na edição anterior, o estado havia ficado em segundo lugar com 13 vencedores. A queda no volume não tirou o Amazonas do topo, mas acende um sinal de alerta sobre a retenção de talentos na fase final.

Quem são os dez nomes que representam a floresta

A diversidade geográfica é um dos trunfos: os premiados saem de sete municípios diferentes, indo da capital ao interior profundo. A lista mistura associações coletivas, cooperativas e mestres individuais:

  • Casa da Arte (São Gabriel da Cachoeira)
  • Teçume da Amazônia (Maraã)
  • Alva Tuyuca Artesanatos (Barcelos)
  • Celdo Braga Bioinstrumentos Amazônicos (Manaus)
  • Mateus Pereira (Parintins)
  • Associação de Artesãos Teçume da Floresta (Careiro)
  • Associação de Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI SGC)
  • Bonecaria da Amazônia (Iranduba)
  • Dina Piaçasuiwara (Barcelos)
  • Cooperativa de Trabalho de Artesanato Amazonense – Copamart (Manaus)

O uso de matérias-primas nativas — como molongó, cipó ambé, tucum e arumã — reforça a identidade cultural como diferencial competitivo.

O que o júri realmente avalia além da beleza da peça

O prêmio não é um concurso de estética. A metodologia do Sebrae percorre três etapas eliminatórias e pesa seis critérios técnicos: inovação, acabamento, identidade cultural, gestão do negócio, sustentabilidade e capacidade de comercialização. Em resumo: a peça precisa ser vendível, o processo sustentável e a gestão profissional.

Essa abordagem explica por que empreendimentos como a Teçume da Floresta e a ASSAI SGC repetiram a vitória. Ambas já haviam provado, na edição passada, que sabem transformar tradição em negócio escalável — a primeira com cipó ambé, a segunda com fibras indígenas.

Estreantes que quebraram a barreira da entrada

Entre os novatos, três nomes chamam atenção pela originalidade do portfólio. Mateus Pereira, de Parintins, levou a Fruteira Tucano, feita em molongó, material leve e resistente nativo das várzeas. A Bonecaria da Amazônia aposta no lúdico com bonecas de pano e fibra que contam narrativas regionais. Já Celdo Braga inova ao construir bioinstrumentos musicais a partir de sementes, bambus e madeiras de manejo, unindo artesanato e sonoridade ancestral.

Mas o efeito mais relevante aparece no calendário de novembro.

Do palco para a vitrine: a agenda que move dinheiro

A cerimônia de premiação acontece no dia 11 de novembro, no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro. Nos dias 12 e 13, os vencedores participam de uma rodada de negócios exclusiva com lojistas e compradores nacionais e internacionais.

Além do networking direto, os dez empreendimentos ganham:

  • Direito de uso do selo “TOP 100” por três anos;
  • Inclusão no catálogo oficial da premiação, distribuído para curadores e pontos de venda;
  • Visibilidade em canais institucionais do Sebrae.

Para micro e pequenos negócios do interior amazônico, esse pacote costuma valer mais que o troféu: reduz o custo de aquisição de cliente e abre portas em feiras como a Francal e a Artesol.

O que observar daqui para frente

A manutenção do Amazonas no Top 3 nacional sinaliza maturidade do ecossistema local, mas a redução de 13 para 10 vencedores sugere gargalos na preparação dos editais ou na escalabilidade da produção. Gestores e artesãos devem monitorar dois movimentos: a ampliação do suporte técnico nas etapas estaduais e a conversão dos contatos de novembro em pedidos recorrentes. O selo vence em 2027; até lá, o desafio é transformar reconhecimento em receita constante.