Um adolescente de 16 anos criou a plataforma votae.org para traduzir o sistema eleitoral brasileiro a uma fatia do eleitorado que soma 19,2 milhões de pessoas. A iniciativa nasceu da própria dificuldade do estudante Maurício Melzer em entender para que serviam cargos como senador ou deputado ao tirar o título de eleitor.
O site agrega dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reorganiza a informação com linguagem acessível. O objetivo é reduzir a abstenção e o voto nulo entre jovens de 16 a 24 anos, grupo que representa 12% do total de aptos a votar no país.
O problema: uma urna com 21 mil opções
Nas eleições de 2026, o eleitor brasileiro enfrenta uma cédula complexa. São quase 21 mil candidatos disputando cargos em todo o território nacional. Apenas em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o número passa de 2.600 nomes.
Na prática, o votante precisa escolher simultaneamente:
- Presidente da República
- Governador
- Dois Senadores
- Deputado Federal
- Deputado Estadual
Sem referências prévias, a quantidade de opções paralisa o eleitor de primeira viagem. Foi esse vazio de informação que motivou a criação da ferramenta.
A solução: dados oficiais, linguagem de jovem
Maurício percebeu que o site do TSE, embora completo, usa terminologia técnica que afasta o iniciante. “A gente traduz essa linguagem que parece grande e desconfortável para quem está começando agora”, explicou o criador à TV Brasil.
A plataforma organiza os perfis dos candidatos por estado e cargo, incluindo informações sobre financiamento de campanha. Tudo espelhado da base oficial, mas apresentado com uma arquitetura de informação pensada para o consumo digital rápido.
O peso do voto jovem nas urnas
Para Vitor Amaral, secretário de comunicação do TRE-SP, o engajamento digital dessa geração não é apenas simbólico. “Quando eles se envolvem, trazem soluções. É uma possibilidade real de aproximar um público que vai ajudar a decidir as eleições”, afirmou.
O raciocínio é matemático: 19,2 milhões de votos equivalem a quase o eleitorado inteiro de estados como Minas Gerais ou Rio de Janeiro. Ignorar esse bloco é um erro estratégico para qualquer campanha.
O que observar daqui para frente
A adoção de ferramentas cívicas independentes tende a crescer enquanto a educação formal não suprir a lacuna de letramento político. Para o empresário ou investidor, o caso sinaliza duas tendências: a demanda por produtos que simplifiquem dados públicos complexos e o poder de mobilização de micro-influenciadores em nichos demográficos específicos.
Se a plataforma conseguir converter curiosidade em comparecimento efetivo nas seções eleitorais, o modelo pode ser replicado para outras esferas — como consultas públicas, orçamentos participativos ou fiscalização de mandatos. O termômetro será a taxa de comparecimento dessa faixa etária em outubro.
