Tecnologia

O segredo do novo CEO da Apple: silêncio, carros de corrida e o iPhone que vem aí

John Ternus, novo CEO da Apple, em retrato executivo com fundo tecnológico sugerindo futuro iPhone
John Ternus assume comando da Apple com discrição e promessa de inovação no próximo iPhone.

John Ternus assumiu o comando da Apple com um único “Olá” no X e, em três dias, reuniu quase um milhão de seguidores. O engenheiro de 51 anos herda uma empresa de US$ 4,7 trilhões, mas carrega um desafio que o dinheiro não resolve: voltar a surpreender o mercado.

A discrição não é acaso — é marca registrada. Colegas o descrevem como “calmamente implacável”, traço que ele aprimora pilotando carros de corrida nos fins de semana. Mas a tranquilidade do novo CEO será testada já na quarta-feira (9), no primeiro grande palco pós-Tim Cook.

A estreia discreta de um gigante

A troca de comando foi oficializada na terça-feira (1). Diferente de transições turbulentas do passado, a passagem de bastão ocorreu em silêncio, planejada por Cook há anos para evitar o vácuo deixado pela doença de Steve Jobs.

Ternus não é um estranho no ninho. São 25 anos de casa, tendo entrado em 2001, mesmo ano em que Elon Musk se formava na Pensilvânia. A diferença: o novo CEO da Apple construiu a carreira inteira dentro dos laboratórios de Cupertino, longe dos holofotes.

Por que investidores estão de olho no engenheiro de 51 anos

O mercado aplaudiu a escolha — as ações subiram 18% no ano —, mas a paciência tem prazo. O crescimento das vendas estagnou e a aposta inicial da Apple em ficar fora da corrida infraestrutural de IA gerou dúvidas.

Para Wamsi Mohan, analista sênior do Bank of America, a complexidade atual exige um gestor que domine cada engrenagem: “A Apple de hoje é simplesmente uma fera diferente. Abarcar tudo é um trabalho muito difícil”.

A sombra de Tim Cook e a transição planejada

Cook permanece como presidente do conselho, garantindo uma ponte de quatro meses. A estratégia acalmou acionistas: “Provavelmente é importante para Ternus ter Cook por perto… isso é o que manteve as pessoas satisfeitas”, afirma Mohan.

A transição incluiu aparições conjuntas discretas, como a reunião da Berkshire Hathaway. Internamente, a sensação é de continuidade; um funcionário chegou a pular a festa de boas-vindas por considerar a troca “rotina”.

Do plástico ao silício: a trilha técnica de Ternus

Diferente de Cook, recrutado para operações, Ternus subiu pela engenharia de produto. Mentorado por Dan Riccio, ele liderou a transição do plástico para o metal nos Macs e, crucialmente, a integração dos chips próprios (Apple Silicon) em 2021.

  • 2001: Ingressa na equipe de hardware.
  • 2021: Assume vice-presidência sênior de Engenharia de Hardware.
  • 2024: Anunciado sucessor em abril; assume em setembro.

Essa bagagem técnica o credencia a falar a língua dos engenheiros, mas também expõe sua visão de produto: relatos indicam ceticismo sobre o Vision Pro, headset que se provou um fracasso comercial. Ternus prefere dispositivos que “as pessoas realmente queiram usar”.

O ceticismo com Vision Pro e a aposta no que “as pessoas usam”

Essa postura pragmática ecoa no primeiro e-mail aos funcionários. Ele prometeu entusiasmo com produtos “que ainda nem imaginamos, que vamos sonhar e criar juntos”. A retórica remete à era Jobs — Ternus domina até o jargão: “o Mac é a bicicleta para a mente”.

Mas a prova de fogo não é retórica. É hardware.

O que esperar do palco na quarta-feira: o dobrável?

O primeiro grande evento de Ternus como CEO acontece dia 9: o lançamento anual do iPhone. A expectativa do mercado concentra-se em um único rumor: a apresentação do primeiro iPhone dobrável da história.

Se confirmado, o dispositivo sinaliza que o “engenheiro implacável” entendeu o recado: a Apple precisa de um novo ícone, não apenas de processadores mais rápidos.

O que observar daqui para frente

A geopolítica da cadeia de suprimentos e a integração real de IA generativa nos dispositivos são as variáveis invisíveis. Ternus tem o respeito interno e a benção de Cook, mas o título de “visionário” não se herda — se conquista no palco. Os próximos trimestres dirão se o silêncio do novo CEO escondia uma estratégia ou apenas o barulho do motor de seu carro de corrida.