Cultura

Cultura da empresa: 90% conhecem, mas 58% veem ruir sob pressão por metas

Infográfico mostra 90% conhecem cultura organizacional, mas 58% a sacrificam sob pressão por metas
Estudo revela contradição: maioria conhece a cultura, mas a abandona quando metas apertam.

Nove em cada dez profissionais afirmam conhecer a cultura de suas organizações e reconhecem que ela impulsiona resultados. Ainda assim, 58% admitem: quando a pressão por metas aperta, a cultura é a primeira a ser sacrificada.

O dado vem do estudo “Cultura na Prática”, conduzido pela QualiBest a pedido do iFood com 1.406 trabalhadores de empresas com mais de 100 funcionários. A coleta ocorreu entre 13 e 17 de julho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

O abismo entre o discurso e o dia a dia

Apenas 36% dos entrevistados dizem que a cultura é praticada sempre. Para 55%, ela se manifesta na rotina — na gestão e no modo como as pessoas são tratadas. O restante vê lacunas.

Entre diretores e gerentes, a leitura é mais severa: 65% afirmam que ações de bem-estar e capacitação são as primeiras cortadas em momentos de aperto. E 41% dos líderes admitem abrir mão de princípios culturais para bater metas.

Quando cultura vira estratégia (e quando não vira)

Para 57% dos profissionais, a cultura é tratada como estratégia de negócio. Os 43% restantes discordam — e 16% vão além: dizem que é apenas discurso.

A diferença tem consequências mensuráveis. Quando a cultura é percebida como estratégia genuína, cresce a percepção de resultados positivos e de bem-estar. A certeza de que valores serão respeitados, independentemente do cenário, muda o jogo.

O custo da incoerência: carreiras e turnover

Trinta e seis por cento dos ouvintes já tomaram decisões de carreira motivadas pela cultura — ou pela falta dela. Raphael Bozza, executivo de pessoas do iFood, resume: empresas que “fazem o que pregam” retêm talentos; as que não cumprem o prometido enfrentam rotatividade alta.

O ciclo é claro: sem gente engajada, não há inovação nem escala.

IA: oportunidade para uns, ameaça para outros

A pesquisa também mapeou a percepção sobre inteligência artificial. Os números revelam uma fratura hierárquica:

  • 86% veem a IA como oportunidade de trabalhar de novas formas
  • 75% já percebem contribuição positiva no dia a dia
  • Entre diretores, 85% avaliam o impacto como positivo
  • Entre analistas, o percentual cai para 67%

Sobre emprego, a divisão persiste: 42% acreditam que a IA reduzirá postos de trabalho; 36% discordam.

O que observar daqui para frente

Bozza aponta que o iFood adota a IA em testes internos antes de escalar — o iFood Benefícios nasceu assim. O padrão sugere que organizações que tratarem cultura como ativo inegociável e tecnologia como ferramenta testada com os próprios times terão vantagem dupla: retenção e inovação real. Acompanhe se sua empresa corta valores quando o trimestre aperta. A resposta dita o futuro do negócio.