A Paraíba terá 54 representantes eleitos em 2026, mas o número de opções nas urnas despencou quase pela metade. Essa redução drástica altera a lógica de campanha e pode definir vencedores antes mesmo do primeiro turno em 4 de outubro.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou 450 registros de candidatura, ante 752 no pleito anterior. Para o eleitor e para o articulador político, isso significa menos pulverização de votos e uma disputa mais concentrada nos grandes partidos.
O mapa das vagas: o que está em jogo em outubro
O eleitor paraibano vai preencher 52 cargos estaduais e federais, além da chapa presidencial. A divisão exata das cadeiras em disputa é a seguinte:
- Executivo Estadual: 1 Governador + 1 Vice-governador
- Senado: 2 vagas (cada chapa leva 1º e 2º suplentes)
- Câmara dos Deputados: 12 cadeiras
- Assembleia Legislativa: 36 cadeiras
- Presidência da República: 1 Presidente + 1 Vice
Onde a sangria foi maior: deputado estadual lidera queda
O cargo de deputado estadual absorveu o choque mais violento. Os registros caíram 55%, saindo de 471 nomes em 2022 para 208 neste ciclo. Na prática, a relação candidato/vaga despencou de 13:1 para menos de 6:1.
Para o estrategista de campanha, o recado é claro: a “perna” de vereadores e lideranças locais puxando voto para “puxadores de voto” perdeu fôlego. A sobrevivência política agora exige estrutura partidária robusta desde o dia zero.
Federal e majoritária: redução contida, mas significativa
Na corrida pela Câmara Federal, a retração foi de 27% (251 para 184 candidatos). Já no campo majoritário, a oferta enxuta — 6 chapas ao governo e 10 ao Senado — sinaliza concentração de capital político e financeiro em poucos projetos viáveis.
Menos nomes na urna tendem a elevar o custo por voto válido. Quem não tem tempo de TV, fundo partidário forte ou capilaridade digital entra na disputa apenas para compor coligação.
Por que o número de candidatos desabou?
Especialistas apontam três vetores principais para a debandada de 316 nomes em relação a 2022:
- Fim das coligações proporcionais: Partidos pequenos perdem a “carona” em legendas grandes e precisam atingir a cláusula de barreira sozinhos.
- Cláusula de desempenho: Siglas que não elegeram bancadas em 2022 perderam acesso ao Fundo Eleitoral e tempo de propaganda.
- Custo de campanha: Regras de prestação de contas e limites de doação assustam candidaturas “teste de popularidade”.
O segundo turno e o calendário que importa
Se ninguém atingir maioria absoluta para o Governo do Estado, o return match está agendado para 25 de outubro. Isso estica o calendário de caixa: candidatos ao Palácio da Redenção precisam planejar fluxo de recursos para 21 dias extras de guerra.
Para o Senado, a regra é maioria simples. Com duas vagas, a tendência histórica favorece chapas casadas com o governo estadual, mas a fragmentação nacional pode abrir espaço para surpresas.
O que observar daqui para a frente
A Justiça Eleitoral ainda julgará impugnações e substituições — os números finais de cédula podem variar até agosto. Acompanhe a movimentação de suplentes de senador e a definição das federações partidárias; é ali que se define a musculatura real de cada chapa proporcional.
Para o empresariado e investidores, o sinal é de previsibilidade reduzida no curto prazo, mas maior clareza sobre quem de fato detém mandato e influência a partir de 2027. Mapeie os 6 projetos de governo e as 10 chapas ao Senado: o poder de agenda nos próximos quatro anos sairá desse grupo restrito.
