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Internet grátis na eleição: Anatel alerta para risco de apagão móvel

Anatel alerta STF sobre risco de apagão móvel se internet grátis for liberada na eleição
Anatel prevê colapso na rede móvel caso STF autorize acesso irrestrito à internet nos dias de votação.

A Anatel avisou ao STF que liberar o acesso irrestrito à internet móvel nos dias de votação pode derrubar a rede de celular em todo o país. O parecer técnico foi enviado ao ministro Cristiano Zanin na última quinta-feira (24), após entidades pedirem franquia livre nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores a cada turno. O risco, segundo a agência, não é teórico: a infraestrutura móvel tem capacidade finita e não comporta picos repentinos de tráfego.

O pedido partiu da CNTE e do Partido Verde, que argumentam que o fim da franquia de dados pré-pagos cria desigualdade no acesso à informação. Quando o crédito acaba, a velocidade cai drasticamente e só ficam liberados aplicativos patrocinados — o que, na visão dos autores, facilita a circulação de desinformação nas vésperas do pleito. A Anatel, porém, contesta a premissa.

O que os números mostram sobre o uso real

Uma pesquisa da própria agência, realizada em 2025, revelou que 70% dos usuários de planos pré-pagos acessam a internet via Wi-Fi fixo, seja em casa ou em pontos públicos, justamente para não consumir a franquia móvel. Isso muda o diagnóstico: a barreira não seria a falta de conectividade, mas a forma como a rede é usada.

O Brasil conta hoje com mais de 270 milhões de linhas móveis ativas. Dessas, cerca de 35% são pré-pagas, e uma fatia relevante dos pós-pagos opera no modelo “controle”, também com pacote de dados limitado. Liberar o tráfego para essa base toda de uma só vez criaria um gargalo previsível.

Por que a rede móvel não aguenta o tranco

Diferente da banda larga fixa — que roda por cabos e pode ter capacidade expandida quase sem limite —, o sinal de celular depende de espectro eletromagnético, recurso escasso e fisicamente limitado. Quando milhares de dispositivos tentam transmitir ao mesmo tempo na mesma área, a torre satura.

A Anatel lista três comportamentos que disparariam o congestionamento:

  • Downloads antecipados de vídeos e arquivos pesados
  • Streaming contínuo durante o período de gratuidade
  • Compartilhamento de hotspot para dispositivos sem chip

O resultado provável: queda de sinal, chamadas que não completam e impossibilidade de acessar até serviços essenciais — justo no momento em que a comunicação é mais crítica para a logística eleitoral.

O entrave regulatório que ninguém menciona

Além do risco técnico, a agência aponta que a medida invadiria sua competência exclusiva de regular telecomunicações. O STF não tem estrutura para definir parâmetros de engenharia de rede, e uma decisão judicial impondo gratuidade criaria precedente perigoso para o setor. O ministro Zanin aguarda agora o parecer da PGR antes de analisar o pedido de liminar.

O que observar nas próximas semanas

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro; o segundo, se houver, para 25 de outubro. Até lá, três movimentos importam: a manifestação da PGR, a posição final do STF e a eventual mobilização das operadoras para reforçar capacidade temporária — algo que a Anatel diz ser tecnicamente inviável no curto prazo. Para quem depende de celular no dia da votação, a aposta mais segura segue sendo o Wi-Fi fixo ou o download antecipado de materiais de consulta.