Saúde

Você não vai acreditar: menino de 11 anos vive normal com rim da mãe

Menino de 11 anos sorri saudável dois anos após transplante renal da mãe
Marcos Taylor, 11 anos, vive rotina normal após receber rim da mãe em 2024.

Dois anos após receber o rim da mãe, Marcos Taylor, de 11 anos, leva uma rotina igual à de qualquer criança da idade dele. Mas o que essa transformação revela sobre os transplantes entre vivos no Brasil? A resposta está nos detalhes que a família viveu desde o diagnóstico pré-natal até a cirurgia em abril de 2024.

O diagnóstico que começou antes do nascimento

Aos 13 semanas de gestação, um ultrassom detectou uma malformação grave no sistema urinário do feto: válvula de uretra posterior. O refluxo comprometia a função renal e comprimia outros órgãos. A equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto alertou que a sobrevida era incerta.

Marcos nasceu com rins danificados e precisou de acompanhamento intensivo. Infecções urinárias recorrentes e atraso no desenvolvimento marcaram os primeiros anos. A mãe, Fratiane Ferreira Dias, enfermeira natural de Porteirinha (MG), viajava frequentemente para consultas até que os médicos recomendaram morar mais perto do hospital.

Ela pediu demissão, mudou-se para Pontal (SP) e recomeçou a vida para garantir o tratamento do filho. “Foi difícil no começo, mas eu tinha o que precisava: a saúde dele”, resume.

A espera pela compatibilidade e a pandemia

Aos 6 anos, Marcos piorava. Fratiane questionou a equipe se poderia doar um rim. Exames de compatibilidade, feitos por volta de 2020, mostraram quase 100% de correspondência. A cirurgia estava pronta para ser agendada quando a pandemia de Covid-19 suspendeu os transplantes entre vivos no HC.

Durante a paralisação, o quadro do menino seguiu se agravando. A família manteve o tratamento conservador enquanto aguardava a retomada do programa.

O transplante que retomou o programa do HC

Em abril de 2024, após a reativação dos procedimentos, Fratiane passou por nova bateria de avaliações — inclusive psicológicas — e foi considerada apta. No dia 22 daquele mês, mãe e filho entraram no centro cirúrgico para o primeiro transplante renal entre vivos da instituição desde o retorno das atividades.

A cirurgia transcorreu sem intercorrências. Fratiane recebeu alta dias depois e incorporou exercícios físicos regulares à rotina. “Minha vida é normal, igual era antes, ou até melhor. Não sinto falta desse rim”, afirma.

Vida nova: números e rotina atual

Hoje, dois anos pós-transplante, Marcos apresenta:

  • Função renal estável, monitorada por exames de rotina trimestrais.
  • Uso contínuo de imunossupressores, com doses ajustadas periodicamente.
  • Participação em atividades escolares e brincadeiras sem restrições.
  • Crescimento e desenvolvimento dentro dos padrões esperados para a idade.

A mãe relata que o filho “tem cor agora” — antes, a pele apresentava tonalidade esverdeada típica da insuficiência renal avançada. Ele próprio a chama de “supermãe”, embora ainda não dimensione a profundidade do gesto.

O que observar daqui para frente

O caso ilustra como a doação entre vivos, quando viável, encurta a espera por órgãos e oferece resultados superiores em comparação a doadores falecidos. Para profissionais de saúde e gestores, a experiência reforça a necessidade de manter programas ativos mesmo em cenários de crise sanitária. Para famílias em situação semelhante, a lição prática é buscar avaliação de compatibilidade o mais cedo possível, pois a janela terapêutica pode fechar rapidamente.