Economia

Eleições 2026: A virada no Centro-Oeste que investidores precisam acompanhar

Mapa do Centro-Oeste brasileiro com indicadores de pesquisa eleitoral 2026 e ícones de agronegócio e infraestrutura
Pesquisas Quaest revelam consolidação de lideranças no Centro-Oeste, impactando reformas e agronegócio.

Pesquisas Quaest recém-divulgadas redesenham o mapa político do Centro-Oeste para 2026 — e a configuração de poder que emerge pode ditar o ritmo de reformas tributárias, infraestrutura e agronegócio nos próximos quatro anos. O levantamento, realizado entre 23 e 25 de setembro, traz margem de erro de três pontos percentuais.

Mas o dado bruto esconde uma dinâmica mais relevante: em três das quatro unidades da federação, a vantagem dos líderes aumentou em relação a agosto. O que isso sinaliza sobre a estabilidade regulatória da região?

Distrito Federal: favorita cresce, mas incerteza jurídica persiste

Celina Leão (PP) oscila entre 33% e 34% nos dois cenários testados, mantendo folga sobre Leandro Grass (PT), que varia de 21% a 23%. O detalhe que muda a equação: José Roberto Arruda (PSD), que aparecia com 17%, teve o registro indeferido definitivamente pelo TRE-DF no dia seguinte à divulgação.

Sem Arruda, os indecisos saltam para 15% e brancos/nulos chegam a 15% — o maior patamar entre os quatro estados. Isso abre espaço para realinhamento no segundo turno, caso necessário.

  • Cenário 1 (com Arruda): Celina 33% | Grass 21% | Arruda 17%
  • Cenário 2 (sem Arruda): Celina 34% | Grass 23% | Paula Belmonte 7%

Goiás: vice-governador consolida dianteira e herda máquina estadual

Daniel Vilela (MDB) subiu de 37% para 42% em menos de um mês, enquanto Marconi Perillo (PSDB) recuou de 20% para 19% e Wilder Morais (PL) oscilou de 12% para 15%. A vantagem de 23 pontos sobre o segundo colocado sugere definição no primeiro turno — algo raro em disputas majoritárias goianas.

O MDB comanda o estado desde 2019. A continuidade administrativa tende a preservar contratos de concessão e parcerias com o setor produtivo, mas reduz a margem para rupturas em políticas de incentivo fiscal.

Mato Grosso: empate técnico expõe racha no agronegócio

Otaviano Pivetta (Republicanos) foi de 23% a 29%; Wellington Fagundes (PL) estagnou em 27%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro. O cenário reflete a disputa interna no setor que move a economia estadual: Pivetta conta com apoio de Mauro Mendes (União), enquanto Fagundes articula base bolsonarista.

Brancos e nulos caíram de 29% para 22%, indicando que o eleitor começa a escolher. O segundo turno, se confirmado, será decidido no voto a voto do interior.

Mato Grosso do Sul: Riedel dispara e se isola

Eduardo Riedel (PP) saltou de 40% para 51% — o maior crescimento absoluto entre todos os líderes da região. Fábio Trad (PT) recuou de 13% para 12%; Delcídio Amaral (PRD) caiu de 8% para 6%. Indecisos ainda somam 15%, mas a distância de 39 pontos para o segundo colocado torna a reviravolta improvável.

A gestão Riedel priorizou logística (Rota Bioceânica) e regularização fundiária. A reeleição praticamente assegurada projeta continuidade nesse vetor.

Resumo comparativo: quem lidera e com qual folga

Estado Líder Partido % Atual Variação vs ago 2º colocado Diferença
DF Celina Leão PP 33-34% -1 a +1 pp Leandro Grass (PT) 11-12 pp
GO Daniel Vilela MDB 42% +5 pp Marconi Perillo (PSDB) 23 pp
MT Otaviano Pivetta Republicanos 29% +6 pp Wellington Fagundes (PL) 2 pp (empate técnico)
MS Eduardo Riedel PP 51% +11 pp Fábio Trad (PT) 39 pp

O que isso muda para quem decide alocação de capital

Três governadores (GO, MT, MS) alinhados ao centro-direita e ao agronegócio tendem a manter — ou ampliar — incentivos a commodities, logística de exportação e segurança jurídica para contratos de longo prazo. No DF, a definição do palanque federal dependerá do desfecho judicial de Arruda e da migração do eleitorado de direita órfão de candidato.

A concentração de poder no MDB (GO), PP (DF e MS) e Republicanos (MT) também desenha uma bancada de governadores com trânsito direto no Congresso, o que acelera pautas de interesse regional como a reforma tributária setorial e o marco regulatório do carbono.

O que observar daqui para frente

Próximas rodadas de pesquisa (previstas para novembro) testarão se a consolidação de Vilela e Riedel resiste ao início formal da campanha e ao horário eleitoral. Em Mato Grosso, o movimento de Pivetta para fora da margem de erro será o termômetro da capacidade de transferência de votos do governador Mauro Mendes. No DF, a redistribuição dos 17% de Arruda — e dos 15% de indecisos — ditará se Celina Leão resolve no primeiro turno ou enfrenta segundo turno competitivo.

Para o investidor, o sinal claro está em Goiás e Mato Grosso do Sul: previsibilidade política alta. Em Mato Grosso e no DF, a janela de incerteza permanece aberta — e deve ser precificada.