Pesquisas Quaest divulgadas entre 22 e 23 de outubro redesenharam a disputa pelos governos de oito estados nordestinos. A margem de erro é de três pontos percentuais, mas os movimentos internos sugerem cenários radicalmente diferentes do observado semanas atrás. O Piauí ficou de fora do levantamento.
Quatro estados em empate técnico: a zona de perigo
Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco formam o bloco da indefinição. Nelas, a diferença entre os dois primeiros colocados cabe dentro da margem de erro. Qualquer oscilação de campanha ou comparecimento às urnas pode inverter o resultado.
- Alagoas: JHC (PSDB) 43% x Renan Filho (MDB) 41%.
- Bahia: ACM Neto (União) 42% x Jerônimo Rodrigues (PT) 40%.
- Ceará: Ciro Gomes (PSDB) 43% x Elmano de Freitas (PT) 41%.
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSD) 41% x João Campos (PSB) 39%.
O denominador comum é a taxa de indecisos, que varia entre 7% e 9%. Esse eleitorado flutuante será o fiel da balança no primeiro turno.
Onde a liderança parece consolidada (mas o 2º lugar ferve)
Em Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba, os líderes abrem vantagem numérica confortável. A briga real migrou para a vaga de um eventual segundo turno.
No Maranhão, Eduardo Braide (PSD) tem 46% contra 27% de Orleans Brandão (MDB). Em Sergipe, Fábio (PSD) marca 43% ante 34% de Valmir de Francisquinho (Republicanos). No Rio Grande do Norte, Allyson (União) lidera com 39%, seguido por Cadu de Lula (PT) com 21% e Álvaro Dias (PL) com 18%.
A Paraíba apresenta o cenário mais assimétrico: Lucas Ribeiro (PP) dispara com 49%. A disputa pela vice-liderança está embolada: Efraim Filho (PL) com 16% e Cícero Lucena (MDB) com 15% estão tecnicamente empatados.
As viradas que explicam o momento
Olhar apenas para a foto atual esconde o filme. Três movimentos bruscos merecem atenção de quem analisa risco político:
- Rio Grande do Norte: Allyson saltou de 25% para 39% em uma única rodada — alta de 14 pontos.
- Paraíba: Lucas Ribeiro subiu 11 pontos (38% para 49%), consolidando favoritismo.
- Ceará: Elmano de Freitas (PT) cresceu 7 pontos (34% para 41%), enquanto Ciro Gomes (PSDB) caiu 2 (45% para 43%), invertendo a dinâmica da corrida.
Em contrapartida, a Bahia mostrou estabilidade: ambos os líderes ganharam 3 pontos cada, sugando os indecisos que caíram de 12% para 9%.
O que observar daqui para a frente
A taxa de brancos, nulos e indecisos ainda supera 15% na maioria dos estados. Em cenários de empate técnico, a mobilização de máquina partidária e a definição do voto útil nos últimos dias tendem a ditar o desfecho. Para o ambiente de negócios, o sinal de alerta está nas quatro disputas emboladas: qualquer resultado altera a correlação de forças no Congresso e nos palanques regionais para 2026. Acompanhe as próximas rodadas de Datafolha e Ipec para confirmar se as tendências de alta (RN, PB, CE) se sustentam ou foram ruído estatístico.
