O candidato ao governo do Amazonas Cabo Daciolo (Mobiliza) apresentou neste sábado (26) uma proposta que, se cumprida, injetaria R$ 2 bilhões no agronegócio estadual e abriria 75 mil postos de trabalho diretos. A conta, no entanto, depende de variáveis que o discurso de campanha não detalha.
Durante agenda no interior e na capital, o candidato vinculou o investimento à exploração de 150 mil quilômetros quadrados — área equivalente a cerca de 9,5% do território amazonense. A projeção oficial fala em retorno anual de R$ 3 bilhões para a economia local.
De onde saem os números?
A assessoria do candidato não divulgou, até o momento, o estudo técnico que embasa a relação entre área, aporte e geração de empregos. Em campanhas anteriores, promessas de grande escala no setor primário esbarraram em licenciamento ambiental, infraestrutura logística e regularização fundiária.
O que se sabe, por enquanto:
- Investimento prometido: R$ 2 bilhões
- Área alvo: 150 mil km²
- Empregos diretos estimados: 75 mil
- Retorno anual projetado: R$ 3 bilhões
O entrave que ninguém comenta
Grande parte dos 150 mil km² citados está sob regime de proteção integral ou terras indígenas, onde a atividade agropecuária comercial é vedada ou severamente restrita. Alterar esse zoneamento exige aprovação do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal — não basta vontade estadual.
Além disso, o Amazonas carece de estradas, energia estável e armazenagem em escala para escoar produção agropecuária de grande porte. O custo logístico, hoje, torna muitos projetos economicamente inviáveis sem subsídios federais.
Agenda de campanha e o calendário eleitoral
O sábado de Daciolo começou com visitas a comunidades no interior. Às 14h30, esteve no conjunto Viver Melhor 1, zona norte de Manaus. Encerrou o dia com um ato de oração — marca registrada de suas campanhas anteriores.
A propaganda em rádio e TV iniciou em 28 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Neste ciclo, os amazonenses escolhem governador, senador, deputados federais, estaduais e presidente da República.
O que observar nas próximas semanas
Fique atento a três sinais concretos: divulgação do plano de governo com fontes de financiamento detalhadas; posicionamento de órgãos ambientais (Ipaam, Ibama) sobre a viabilidade da área citada; e eventuais parcerias anunciadas com o setor privado ou bancos de fomento. Promessas de bilhões só viram realidade quando o papel encontra o orçamento.
