O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) desembarcou em Juiz de Fora neste sábado (26) com uma proposta direta para a categoria que move o comércio digital: reduzir o IPVA de motos usadas por entregadores de aplicativo. A promessa integra um pacote que prevê desburocratização para abertura de empresas e endurecimento na segurança pública.
Em caminhada pelo Calçadão da Rua Halfeld até a Avenida Barão do Rio Branco, o candidato ao governo de Minas Gerais detalhou as três frentes que devem nortear sua eventual gestão. A receptividade ao discurso foi testada em tempo real junto a comerciantes e trabalhadores da região central.
O que muda para quem vive de duas rodas
A bandeira mais tangível atinge diretamente a logística de última milha. Entregadores que utilizam motocicletas próprias para operar em plataformas como iFood, Rappi e Uber Eats teriam alíquota reduzida do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.
Hoje, o IPVA em Minas Gerais varia entre 1% e 4% do valor venal do veículo, a depender da cilindrada. Para uma moto de 150cc avaliada em R$ 15 mil, o tributo anual supera R$ 300 — peso relevante na margem de quem fatura por corrida.
- Público-alvo: motoboys e entregadores de apps com veículo próprio
- Medida: redução da base de cálculo ou alíquota diferenciada
- Impacto esperado: aumento da renda líquida e estímulo à formalização
A proposta ainda depende de projeto de lei na Assembleia Legislativa e de compensação fiscal no orçamento estadual. O candidato não detalhou a fonte de receita para cobrir a renúncia.
Desburocratização: do discurso à prática
“O governo vai ser amigo do empreendedor. O Estado vai ser menor, e o trabalhador vai ser maior”, afirmou Cleitinho ao prometer simplificar a abertura de comércios. A fala ecoa demandas históricas de contadores e escritórios de advocacia que atuam na regularização de CNPJs no estado.
Atualmente, o tempo médio para constituir uma empresa em Minas gira em torno de 5 a 7 dias úteis via Redesim, mas variações municipais e exigências acessórias — como alvarás sanitários e bombeiros — alongam o processo para semanas.
O candidato não apresentou roteiro técnico: não citou integração de sistemas, eliminação de taxas específicas ou prazos máximos para deferimento. A promessa permanece no campo programático.
Chuvas de fevereiro e a conta da prevenção
Questionado sobre os estragos das chuvas de fevereiro na Zona da Mata, o senador adotou tom crítico à gestão atual: “O dinheiro aparece só depois da tragédia. Obra debaixo da terra ninguém quer fazer, eu vou fazer.”
A referência é a investimentos em drenagem, contenção de encostas e macro-drenagem urbana — obras de alto custo, longa execução e baixa visibilidade eleitoral. A região registrou deslizamentos, alagamentos e prejuízos milionários no comércio local no primeiro bimestre.
Cleitinho defende o uso de Parcerias Público-Privadas (PPPs) para recapeamento de estradas vicinais, argumento que aproxima seu discurso da agenda de infraestrutura defendida por entidades como a Fiemg e a Associação Comercial de Juiz de Fora.
Segurança: tecnologia e efetivo
Na pauta de segurança, duas frentes: ampliação do efetivo da Polícia Militar e instalação de câmeras inteligentes com reconhecimento facial e leitura de placas. “Quem vai ter insegurança agora é o bandido”, declarou.
O modelo citado espelha experiências em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, onde centros de monitoramento integrado reduzem tempo de resposta. A eficácia, contudo, depende de integração com o Ministério Público, Judiciário e sistema prisional — gargalos que extrapolam a alçada estadual.
Outras promessas no radar
Além dos eixos centrais, o candidato reiterou compromissos já ventilados em agendas anteriores:
- Zerar a fila de cirurgias eletivas no SUS mineiro
- Revisar contratos de concessão de pedágio nas rodovias estaduais
- Expandir uso de PPPs para manutenção viária
Nenhuma das três traz cronograma, estimativa de custo ou fonte orçamentária definida até o momento.
O que observar nas próximas semanas
A visita a Juiz de Fora cumpre roteiro de interiorização da campanha. Para o empresariado local, três variáveis merecem acompanhamento: a tramitação de eventual projeto de IPVA diferenciado na ALMG, o desenho do programa de desburocratização (se houver consulta pública) e a sinalização do governo federal sobre repasses para obras de prevenção a desastres — item que costuma ditar o ritmo real de execução.
O eleitorado da Zona da Mata, historicamente decisivo em disputas estaduais, terá oportunidade de cobrar concretude nas próximas sabatinas. O primeiro teste de viabilidade técnica virá com a apresentação do plano de governo protocolado no TRE-MG.
