Economia

Candidato propõe salário regional e fim da escala 6×1: o que muda para o trabalhador

Yuri Ezequiel, candidato UP ao governo da Paraíba, em entrevista à TV Cabo Branco propondo salário regional e fim da escala 6x1
Candidato Yuri Ezequiel (UP) detalha propostas de salário mínimo regional e fim da jornada 6x1 em entrevista à TV Cabo Branco.

Yuri Ezequiel, candidato ao governo da Paraíba pelo Unidade Popular (UP), apresentou uma plataforma que mexe direto no bolso do trabalhador: salário mínimo regional com reajuste de 100% e extinção da jornada 6×1. A proposta foi detalhada em entrevista à TV Cabo Branco neste sábado (26).

O ponto central não é apenas o valor do piso, mas a mudança estrutural na relação entre renda e custo de vida no estado. O candidato afirma que, hoje, a população ainda depende de auxílios emergenciais para sobreviver.

O que está por trás do salário mínimo regional

A ideia de um piso estadual não é nova no Brasil. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul já adotam valores acima do salário mínimo federal, negociados por categorias e setores.

No caso da Paraíba, a proposta prevê um reajuste integral — ou seja, 100% de recomposição — atrelado à inflação e ao poder de compra local. O objetivo declarado é tirar o trabalhador da dependência de programas de transferência de renda.

  • Piso regional: valor definido por negociação estadual, acima do federal
  • Reajuste de 100%: recomposição total do poder de compra
  • Fim da escala 6×1: jornada de seis dias trabalhados para um de folga

Industrialização via empresas públicas e cooperativas

O segundo eixo da plataforma conecta renda a produção. Ezequiel defende que o Estado crie empresas públicas para industrializar a Paraíba, gerando empregos formais com carteira assinada.

O modelo inclui cooperativas de trabalhadores, onde o lucro da produção seria dividido entre quem produz. Para financiar essa estrutura, o candidato cita a necessidade de um banco público estadual, o retorno do antigo banco estadual (conhecido como Paraibã) e uma política de incentivos fiscais direcionada.

Mas o efeito mais relevante aparece na forma como o capital circulante seria retenido no estado.

O elo entre crédito, incentivo e emprego formal

Sem crédito acessível, cooperativas e pequenas indústrias não saem do papel. A proposta do banco público estadual funcionaria como instrumento de fomento: linhas de financiamento com juros baixos para empreendimentos que gerem emprego formal e paguem o piso regional.

Os incentivos fiscais, por sua vez, seriam condicionados. Empresas que recebessem benefícios teriam metas de contratação e de adesão ao salário mínimo regional. É uma tentativa de evitar a renúncia fiscal sem contrapartida social — prática comum em várias unidades da federação.

O que observar daqui para frente

A viabilidade política depende de maioria na Assembleia Legislativa para aprovar o piso regional e a criação do banco público. A escala 6×1, por sua vez, esbarra na legislação trabalhista federal — qualquer mudança efetiva exigiria alteração na CLT ou convenções coletivas setoriais fortes.

Para o empresariado e investidores, os sinais a monitorar são: tramitação do projeto de salário mínimo regional, estruturação do banco de fomento e regras dos novos incentivos fiscais. Se aprovados, redesenham o custo da mão de obra e o ambiente de negócios no estado nos próximos anos.