Uma colisão na RJ-116 matou uma mãe e o filho de quatro dias, enquanto o irmão de 8 anos precisou ser transferido para a Região Metropolitana por falta de retaguarda neurológica na serra. O episódio escancara fragilidades na cadeia de resposta a emergências em um eixo logístico estratégico.
O acidente ocorreu na manhã de sexta-feira (25), no km 118, em Monnerat, distrito de Duas Barras. Dois veículos de passeio se chocaram. Jéssica Oliveira morreu no local. O recém-nascido chegou a ser levado à Santa Casa de Bom Jardim, mas não resistiu.
A cadeia de transferência que salvou uma criança
O menino de 8 anos, com ferimentos graves, foi estabilizado em Bom Jardim e removido ao Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo — a mais de 80 quilômetros do acidente. O deslocamento exigiu coordenação entre SAMU, regulação estadual e vaga zero em unidade de referência.
O pai recebeu alta no mesmo dia. O condutor do outro carro foi atendido no Hospital Municipal de Cordeiro e também liberado. Três unidades de saúde, duas esferas de gestão e um fluxo de regulação que, desta vez, funcionou.
Infraestrutura viária e o custo do “pare e siga”
Durante o atendimento, a RJ-116 operou em sistema de pare e siga. Não houve congestionamento, mas a interrupção parcial em rodovia de pista simples expõe a vulnerabilidade de um corredor que escoa produção agrícola, move turistas e liga a serra à capital.
- Km 118: trecho sinuoso, sem duplicação, com histórico de acidentes graves.
- Alternativas: rotas de desvio adicionam 40 a 60 km ao trajeto.
- Impacto logístico: cada hora de retenção afeta fretes, entregas e turismo receptivo.
O que a perícia vai ditar sobre responsabilidades
A investigação técnica determinará causa, dinâmica e eventuais falhas mecânicas ou humanas. O laudo pericial é a base para inquérito policial, ações regressivas de seguradoras e eventuais pleitos de indenização por danos materiais e morais.
Enquanto o laudo não sai, a família de Nova Friburgo velou as vítimas no Memorial SAF, em Duas Pedras, com sepultamento em Valão do Barro, distrito de São Sebastião do Alto. O rito fúnebre mobilizou redes de apoio local em meio à comoção regional.
O que observar daqui para frente
Acompanhe a conclusão do inquérito policial e eventuais recomendações do DER-RJ para o trecho. Melhorias de engenharia — como terceira faixa em aclives, sinalização inteligente e áreas de escape — reduzem sinistros e preservam a fluidez do corredor. Para gestores de frota e operadores logísticos, a lição prática: mapeie rotas alternativas validadas e revise protocolos de contingência para interdições não programadas na serra.
