Economia

Final Majestoso: o negócio bilionário por trás de Corinthians x São Paulo no feminino

Jogadoras do Corinthians e São Paulo em campo na final do Brasileirão Feminino 2024 na Neo Química Arena
Decisão histórica: Corinthians e São Paulo disputam o título do Brasileirão Feminino com transmissão aberta pela TV Brasil.

A final do Brasileirão Feminino começa neste sábado (26) com transmissão aberta pela TV Brasil, às 16h30, colocando em campo a nona decisão 100% paulista da história. O duelo entre Corinthians e São Paulo não é apenas um clássico: é a vitrine mais valiosa do futebol feminino sul-americano.

Para investidores e gestores de marca, a partida inaugura um ciclo de duas semanas onde audiência, patrocínio e valor de atletas se cruzam em tempo real. O primeiro ato acontece na Neo Química Arena; a volta, no dia 3 de outubro, será no Morumbis.

Hegemonia corintiana: case de gestão esportiva contínua

O Corinthians chega à décima final consecutiva ostentando sete títulos, seis deles em sequência. Desde a reestruturação do departamento — antes uma parceria com o Audax —, o clube transformou o investimento em mulheres no seu ativo de maior retorno simbólico e comercial.

A base do heptacampeonato permanece. Sete atletas que decidiram o título de 2024 seguem no elenco, seis ainda vestindo a camisa alvinegra. A única baixa sensível é a lateral Tamires, fora por lesão no tornozelo.

Do outro lado, a argentina Agustina Barroso, recuperada de longa inatividade por lesão na panturrilha, surge como opção tática caso Érika, com desconforto no joelho, não reúna condições. A zagueira Thaís Regina está suspensa.

São Paulo: curva de maturação acelerada e ROI em evidência

O Tricolor estreou na elite apenas em 2020. Em seis anos, acumulou cinco idas ao G-4 e duas decisões nacionais. O projeto comandado por Thiago Viana — técnico mantido após o vice de 2024 — prova que continuidade técnica gera valor de mercado.

O elenco tricolor para a final deve repetir a base que eliminou o Flamengo: Carlinha; Bruna Calderan, Tayla, Carol Gil e Bia Menezes; Robinha, Aline Milene e Karla Alves; Vi Amaral, Isa e Serrana. Força máxima disponível.

O tabuleiro de transferências escondido na rivalidade

Um detalhe passa despercebido pelo torcedor comum, mas interessa a agentes e diretores de futebol: a atacante Ariel Godoi. Ela marcou pelo São Paulo na final de 2024; hoje, defende o Corinthians. O movimento ilustra a liquidez crescente do mercado feminino brasileiro.

Além dela, a goleira Nicole, a zagueira Érika, a volante Duda Sampaio, a meia Gabi Zanotti e as atacantes Vic Albuquerque e Jaqueline formam o “core” que sustenta a valorização do plantel alvinegro.

Mídia pública como alavanca de visibilidade

A escolha da TV Brasil (EBC) para transmitir os dois jogos — com pré-jogo às 16h10 — sinaliza a estratégia estatal de ocupação de horário nobre com conteúdo de alto engajamento e custo de direitos inferior ao masculino.

Para anunciantes, a exposição em rede nacional aberta, sem paywall, democratiza o alcance e multiplica o retorno sobre investimento (ROI) de cotas de patrocínio atreladas à competição.

Supercopa 2025: o último capítulo antes da decisão

Vale lembrar o contexto imediato: no início do ano, o São Paulo quebrou a sequência corintiana na Supercopa. Após 0 a 0 no Morumbis, venceu nos pênaltis (4 a 3). Foi o único título nacional que escapou ao Timão no ciclo recente.

Esse histórico recente injeta imprevisibilidade esportiva — fator crítico para manter a audiência viva até o apito final do segundo jogo.

O que observar nos próximos 15 dias

Além do placar agregado, três variáveis ditam o pós-jogo para o mercado: público pagante na Neo Química Arena (termômetro da força comercial), índices de audiência da TV Brasil (benchmark para futuros editais de direitos) e eventuais convocações para a Data FIFA de outubro, que desfalcariam os elencos na reta final do Brasileirão.

Quem lê o jogo fora das quatro linhas sabe: o apito inicial deste sábado soa como a abertura de uma janela de valorização de ativos que só fecha no Morumbis.