A vice-presidente de marketing do Grupo Boticário, Renata Gomide, estreia como colunista do C-Level nesta sexta-feira (25) com a missão de traduzir a prática de quem comanda a maior divisão de consumo da empresa. A executiva assume a comunicação de uma área que dita o ritmo de marcas como O Boticário, Eudora e Quem Disse, Berenice?.
Mais do que um anúncio de carreira, a chegada dela sinaliza uma mudança no tipo de conversa que o alto escalão quer ter com o mercado: menos teoria, mais gestão de gente e tecnologia na veia.
Por que a visão dela importa para o seu negócio
Gomide comanda a divisão de Consumer, o motor que conecta inteligência de mercado, publicidade, precificação e fidelização. Em números práticos, é a estrutura que decide como milhões de consumidores descobrem, escolhem e recompram produtos diariamente. Para quem lidera equipes ou investe em marcas, entender como ela equilibra dados e intuição virou diferencial competitivo.
A executiva não chega de paraquedas. São 13 anos de Grupo Pão de Açúcar, passagens por marketing e vendas da Quem Disse, Berenice? e quase uma década construindo a arquitetura de marcas do Boticário. O currículo inclui prêmios como Profissional de Marketing do Ano (Propmark 2022 e Caboré 2024) e a lista Forbes de Mulheres Mais Poderosas do Brasil.
Maternidade, maratona e a falácia do equilíbrio perfeito
Em 2015, um dia antes de receber a proposta para liderar a comunicação da Eudora, Renata descobriu a primeira gravidez. A insegurança inicial — se aceitaria o cargo ou frearia a carreira — moldou uma filosofia que ela carrega até hoje: não existe equilíbrio estático, apenas escolhas e ajustes contínuos.
Mãe de duas meninas (12 e 8 anos) e maratonista, ela transporta a lógica das provas de longa distância para a gestão: performance sustentável não nasce de sprints infinitos. “Times de alta performance não podem virar cultura de exaustão”, resume. A metáfora esportiva não é enfeite; é ferramenta de gestão de energia e expectativas.
Os três eixos que devem pautar as próximas colunas
A agenda editorial declarada mira dores reais de quem decide hoje. Espere análises profundas sobre:
- IA na jornada de decisão: Como a inteligência artificial está reescrevendo o funil de descoberta e compra, tirando o controle das mãos exclusivas do marketing tradicional.
- Marca sem ego executivo: A construção de identidades que servem ao consumidor, não ao gosto pessoal de quem assina o cheque.
- Diversidade como motor de resultado: Formar times com repertórios distintos não é “bom para a imagem” — é condição para enxergar riscos e oportunidades que grupos homogêneos ignoram.
A liderança que reconhece pontos de partida desiguais
Gomide define sua perspectiva de gênero na liderança de forma pragmática: não se trata de decidir “para mulheres”, mas de admitir que as condições de partida não são iguais. A executiva argumenta que a empresa tem papel ativo em corrigir assimetrias estruturais — desde a licença parental até a cultura de reuniões às 18h.
Essa visão prática vem de quem já sentiu na pele o medo de perder espaço ao anunciar uma gravidez. Hoje, ela usa a cadeira de VP para criar os ambientes que gostaria de ter encontrado. É gestão baseada em cicatriz, não apenas em teoria.
O que observar daqui para frente
A primeira coluna sai no site do C-Level nesta sexta (25) e na edição impressa de sábado (26). A periodicidade será mensal. Para o leitor que busca antecipar tendências de consumo e gestão, o conselho prático é simples: trate os textos dela como relatórios de campo de uma operação que fatura bilhões e testa hipóteses em tempo real. O valor não está no título da autora, mas na disposição de expor os bastidores de decisões que a maioria dos líderes mantém em off.
