A vice-presidente de marketing do Grupo Boticário, Renata Gomide, assume a partir desta sexta-feira (25) uma coluna mensal no C-Level, plataforma de negócios da Folha. A estreia na edição impressa acontece no sábado (26).
Mais do que um novo canal de comunicação, a movimentação sinaliza como as maiores empresas do varejo nacional estão reposicionando suas lideranças no debate estratégico. O que uma executiva que comanda a relação direta com milhões de consumidores tem a ensinar sobre o futuro do marketing?
O comando da máquina de consumo
Gomide não é uma teórica. Ela lidera a divisão Consumer do grupo, o motor que conecta marcas como O Boticário, Eudora e Quem Disse, Berenice? ao consumidor final. Sob sua gestão caem inteligência de mercado, publicidade, desenvolvimento de produto, precificação e fidelização.
Em números, isso significa orquestrar a experiência de uma base de clientes que passa de 100 milhões de cadastros ativos no programa de fidelidade. Poucos profissionais no país têm esse volume de dados reais para testar hipóteses sobre comportamento de compra.
Da insegurança materna à liderança de referência
A trajetória até aqui carrega um detalhe humano que moldou sua gestão. Em 2015, um dia antes de receber o convite para assumir a comunicação da Eudora, descobriu a primeira gravidez. A reação imediata foi dúvida: aceitar o salto na carreira ou priorizar a gestação?
Ela aceitou. Hoje, mãe de Pietra (12) e Sofia (8), resume a lição: não existe equilíbrio perfeito, apenas escolhas e ajustes constantes. “Já houve momentos em que precisei dedicar mais energia ao trabalho e outros em que a prioridade foi estar presente para minhas filhas”, afirma.
Essa vivência transformou-se em diretriz de gestão. O objetivo declarado é criar ambientes onde nenhuma mulher sinta que precisa optar entre maternidade e oportunidade profissional.
O que esperar das colunas: três frentes quentes
A executiva adianta que não trará “receitas de bolo”, mas discussões práticas sobre três eixos que travam o sono de CMOs e CEOs atualmente:
- IA na jornada de decisão: Como a inteligência artificial redesenha a descoberta e a escolha do consumidor — e onde o toque humano continua insubstituível.
- Marca sem ego executivo: A construção de identidades baseadas em dados do cliente, não no gosto pessoal de quem assina o orçamento.
- Alta performance sem exaustão: Formar times diversos e rápidos sem transformar “entrega” em sinônimo de burnout.
Maratonista, executiva, formadora de times
Fora do escritório, Gomide é maratonista. Leva para a gestão a lógica dos treinos longos: consistência, ritmo e a certeza de que times heterogêneos — diferentes repertórios, origens e visões — chegam mais longe que grupos homogêneos.
“Não significa tomar decisões apenas para mulheres. Significa reconhecer que as condições de partida nem sempre são iguais e que a empresa pode mudar essas estruturas”, define. A fala resume a abordagem que deve permear seus textos: pragmática, inclusiva e focada em resultado de negócio.
Credenciais que dispensam apresentações
O currículo valida o peso da voz. Formada em Administração (FAAP) e Marketing (ESPM), com MBA em Gestão Estratégica (FGV), acumula 13 anos de Grupo Pão de Açúcar antes de chegar ao Boticário.
O mercado já a reconheceu: lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil, Profissional de Marketing do Ano pelo Propmark (2022), Women to Watch (2023) e Profissional de Marketing do Ano no Caboré (2024).
O que observar daqui para frente
A estreia coincide com um momento de redefinição do varejo físico e digital no Brasil. Acompanhar a análise de quem opera na ponta — com orçamento real, metas agressivas e dados proprietários — oferece uma bússola valiosa para investidores e gestores de médio e grande porte.
Fique atento às primeiras edições: a forma como ela traduzir o impacto da IA no varejo de beleza pode antecipar movimentos que chegarão a outros setores nos próximos 12 a 18 meses.
