Uma sequência trágica em Cosmópolis (SP) deixou uma mulher de 36 anos e a filha de 9 mortas a facadas poucas horas após o companheiro dela morrer em um acidente de carro — e o veículo estava registrado no nome dela.
A Polícia Civil confirma a conexão entre os casos, mas evita cravar a motivação. O delegado Marco Antônio Pozeti classificou como prematuro afirmar a relação direta, embora a coabitação e a titularidade do automóvel sejam fatos consumados.
O detalhe que une as duas tragédias
Janaína Duarte Santiago de Oliveira vivia com o homem de 34 anos, que não era pai da criança. Pela manhã, ele perdeu o controle da direção na Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332), invadiu a contramão e colidiu frontalmente com um caminhão. O impacto jogou o carro contra um segundo caminhão estacionado. Ele morreu no local.
Horas depois, familiares dele foram à residência na Rua José Zacarias, no bairro Cidade Alta, e encontraram os corpos. A descoberta transformou um acidente de trânsito em uma investigação criminal complexa.
O que a perícia encontrou na cena do crime
A descrição do cenário aponta para violência extrema e possível premedicação ou surto. Segundo a Polícia Militar, os indícios no interior da casa são claros:
- Mãe e filha foram mortas a facadas;
- Corpo de Janaína na cozinha; corpo da criança sobre a cama;
- Sangue espalhado, facas dispersas e remédios sobre o colchão.
A presença de medicamentos levanta hipóteses sobre o estado de saúde mental dos envolvidos ou a possibilidade de envenenamento prévio, mas laudos toxicológicos ainda são aguardados.
A dinâmica do acidente que antecedeu tudo
O sargento Felipe Augusto Araújo Bispo, da Polícia Militar Rodoviária, detalhou a mecânica do choque. O condutor seguia sentido Águas de Lindóia ao acessar a SP-133 vindo da SP-332. A perda de controle resultou na invasão da faixa contrária.
Ele estava sozinho no veículo. A morte foi instantânea. O carro, agora peça-chave do inquérito, pertencia legalmente a Janaína — detalhe que eleva o patrimônio comum ao centro da apuração.
Os passos seguintes da investigação
A prioridade agora é estabelecer a cronologia exata das mortes e a autoria das facadas. A hipótese de homicídio seguido de suicídio (pelo homem, antes do acidente) é tecnicamente impossível, pois ele morreu depois. A hipótese de terceiro agente ou ato da própria vítima ganha força.
O inquérito deve solicitar:
- Imagens de câmeras de segurança da rodovia e da vizinhança;
- Laudos de necropsia e toxicológicos das três vítimas;
- Análise de celulares e comunicações recentes do casal;
- Histórico de ocorrências policiais ou medidas protetivas no endereço.
O que observar daqui para frente
Para além da comoção, o caso expõe a interseção perigosa entre violência doméstica, saúde mental e segurança viária. A titularidade do veículo em nome da vítima feminina pode indicar dependência financeira ou arranjo patrimonial que a justiça precisará esclarecer na partilha de bens e eventuais seguros.
Acompanhe os desdobramentos do inquérito policial: a definição da autoria e da motivação ditará não apenas o arquivamento ou denúncia, mas também os desdobramentos cíveis e securitários para as famílias envolvidas.
