Economia

Petróleo na Foz do Amazonas: o que candidatos ao Senado não disseram no debate

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Quatro candidatos a senador debatem petróleo na Foz do Amazonas; dois faltaram.

Quatro candidatos ao Senado pelo Amapá subiram ao palco da Rede Amazônica nesta sexta (25) e expuseram rachas profundos sobre o futuro energético do estado. Dois concorrentes simplesmente não apareceram. O que ficou dito — e o que foi evitado — pode redesenhar investimentos na região nos próximos anos.

O debate, mediado por Daniela Branches, colocou frente a frente Acácio Favacho (MDB), Alliny Serrão (União Brasil), João Capiberibe (PSB) e Randolfe Rodrigues (PT). Lucas Barreto (PSD) e Rayssa Furlan (Podemos) ignoraram o convite sem justificativa.

O embate que expôs a conta da privatização

No primeiro bloco, Capiberibe mirou em Alliny Serrão: cobrou o voto dela, como presidente da Assembleia Legislativa, a favor das concessões da Caesa (saneamento) e da CEA (energia). A acusação é direta — tarifas abusivas estariam penalizando a população mais vulnerável.

Alliny devolveu com a defesa da fiscalização rigorosa dos contratos. Argumentou que o Amapá, como estado produtor de energia, tem lastro para negociar redução de tarifas no Senado. A réplica não fechou a conta: quem garante o equilíbrio entre concessão privada e tarifa justa?

Petróleo na Foz: promessa de 12 anos ou bioeconomia agora?

Randolfe Rodrigues tentou transformar a descoberta de petróleo na Foz do Rio Amazonas em plataforma de campanha. Propôs a criação da Universidade Federal da Fronteira em Oiapoque para qualificar mão de obra local e exigiu infraestrutura — portos e refinarias — para capturar valor no estado.

Capiberibe jogou um balde de água fria na euforia: a viabilidade econômica da exploração depende de estudos que podem levar até 12 anos. Seu contra-ataque foi direcionar o foco para a bioeconomia e o uso sustentável da floresta como geradores de emprego no presente.

Essa divergência não é apenas retórica. Define duas apostas de desenvolvimento radicalmente diferentes para quem observa o estado de fora.

O que os ausentes deixaram de explicar

A ausência de Lucas Barreto e Rayssa Furlan não passou despercebida. Randolfe usou seu tempo de pergunta para confrontar Barreto sobre a posição contrária ao fim da jornada 6×1 — tema sensível para o eleitorado trabalhador.

Capiberibe, por sua vez, recusou-se a direcionar perguntas aos faltosos. A escolha tática diz mais sobre cada campanha do que qualquer resposta ensaiada.

  • 4 candidatos presentes de 6 convidados
  • 12 anos estimados para viabilidade do petróleo na Foz
  • 2 concessões contestadas: Caesa (água) e CEA (energia)
  • 3 blocos de debate: tema livre, tema determinado, tema livre

Funcionalismo, habitação e agro: o bloco sorteado

No bloco de temas determinados, a produção sorteou quatro eixos: funcionalismo público, habitação, empreendedorismo e setor primário (agro). As respostas tenderam ao genérico — promessas de valorização de servidores, déficit habitacional reconhecido por todos, defesa do agronegócio sustentável.

Nenhum candidato apresentou números concretos de meta ou fonte de financiamento. Para o investidor que lê nas entrelinhas: há vácuo de execução orçamentária nas propostas.

O que observar daqui para frente

O debate expôs duas frentes de risco e oportunidade. Primeira: a judicialização ou revisão dos contratos de Caesa e CEA pode criar insegurança regulatória — ou abrir janela para renegociação de tarifas. Segunda: a aposta no petróleo exige horizonte de década; a bioeconomia demanda capital paciente e cadeias de valor ainda incipientes.

Quem acompanha o Amapá como ativo estratégico deve monitorar três variáveis nos próximos meses: tramitação de projetos de fiscalização de concessões no Senado, avanço dos estudos de viabilidade da Foz do Amazonas e movimentação para instalação da universidade federal em Oiapoque. Cada uma delas sinaliza qual das duas visões de desenvolvimento vai prevalecer.