A vice-presidente de marketing do Grupo Boticário, Renata Gomide, estreia como colunista do C-Level nesta sexta-feira (25). A executiva comanda a divisão de Consumer — inteligência de mercado, publicidade, produto, precificação e fidelização — de uma das maiores redes de beleza do país.
O movimento sinaliza uma tendência: grandes líderes operacionais deixando os bastidores para compartilhar dilemas reais de gestão. Para quem toma decisões diárias, a promessa é de conteúdo menos teórico e mais cicatrizado pela prática.
Por que a experiência dela importa para o seu negócio
Gomide não chegou ao cargo por um caminho linear. Antes do Boticário, passou 13 anos no Grupo Pão de Açúcar, cinco como gerente de marketing, e liderou a marca Quem Disse, Berenice?. A bagagem mistura varejo de massa, branding de nicho e gestão de portfólio multilabel.
Em 2015, ao receber a proposta para assumir a comunicação da Eudora, descobriu que estava grávida no dia anterior. A insegurança sobre aceitar ou não o cargo moldou sua visão sobre liderança feminina e ambientes corporativos.
“Já houve momentos em que precisei dedicar mais energia ao trabalho e outros em que a prioridade foi estar presente para minhas filhas”, afirma. Hoje, mãe de Pietra (12) e Sofia (8), ela defende que equilíbrio perfeito não existe — existem escolhas e ajustes constantes.
Os três eixos que devem nortear as colunas
A executiva antecipou os temas centrais de sua coluna mensal. Eles refletem dores atuais de CMOs e CEOs em empresas de qualquer porte:
- IA na jornada do consumidor: como a inteligência artificial redesenha descoberta e decisão de compra.
- Marca sem viés do executivo: construir identidade orientada a dados e ao cliente, não ao gosto pessoal da liderança.
- Alta performance sem exaustão: formar times diversos e resilientes sem transformar entrega em burnout.
Maratonista nas horas vagas, Gomide leva a lógica da corrida de longa distância para a gestão: consistência, ritmo e preparação para o inesperado.
Diversidade como motor de resultado, não apenas discurso
A visão da executiva sobre diversidade foge do lugar-comum. “Não significa tomar decisões apenas para mulheres. Significa reconhecer que as condições de partida nem sempre são iguais e que uma empresa pode contribuir para mudar determinadas estruturas”, diz.
Na prática, isso se traduz em times com repertórios, experiências e perspectivas diferentes. A hipótese: grupos homogêneos tomam decisões mais rápidas, mas grupos diversos tomam decisões mais assertivas em cenários complexos.
Premiada como Profissional de Marketing do Ano pelo Propmark (2022), Women to Watch (2023) e Caboré (2024), além de figurar na lista da Forbes das Mulheres Mais Poderosas do Brasil, Gomide carrega validação de mercado. Mas a proposta da coluna é trocar troféus por tensões reais.
O que observar daqui para frente
A primeira coluna sai no site do C-Level nesta sexta (25) e na edição impressa de sábado (26). A periodicidade mensal permite acompanhar a evolução de temas como IA generativa no varejo de beleza, gestão de portfólio em inflação alta e retenção de talento em mercado aquecido.
Para líderes que buscam referências práticas — não teorias de academia nem cases esterilizados —, vale adicionar a leitura à rotina. O diferencial está na origem: quem escreve ainda decide orçamento, aprova campanha e responde por resultado no dia seguinte.
