A lista dos 100+ Poderosos do Turismo 2026 traz 51 estreias e paridade absoluta de gênero, sinalizando uma mudança geracional profunda no setor. Metade dos nomes nunca havia aparecido no ranking, e mulheres ocupam exatamente 50 posições. O que essa renovação revela sobre o futuro dos negócios de viagem no Brasil?
A renovação que ninguém previu
Dos 100 líderes selecionados, 51 são novatos — 23 homens e 28 mulheres. A taxa de renovação superior a 50% quebra o padrão de listas anteriores, onde os mesmos nomes costumavam se repetir por anos. A entrada massiva de executivos estreantes indica que o mercado está recompensando quem entregou resultados nos últimos ciclos, não apenas quem tem tempo de estrada.
Nomes ligados a tecnologia, aviação de baixo custo, hospitalidade de luxo e turismo de experiência aparecem pela primeira vez. O critério deixa de ser “quem manda” para ser “quem faz acontecer agora”.
Paridade real: não é cota, é mérito
Cinquenta mulheres, cinquenta homens. A divisão exata não foi imposta por regra, mas emerge da avaliação de influência atual. Setores historicamente masculinos — como aviação comercial e gestão de destinos — mostram lideranças femininas em posições de decisão orçamentária e estratégica.
Entre as estreantes, destacam-se cabeças de áreas como revenue management, transformação digital e ESG em grandes redes hoteleiras e operadoras. A presença feminina cresce justamente onde a inovação exige perfis multidisciplinares.
Os setores que dominam a nova elite
A composição da lista desenha um mapa de poder diferente do visto há cinco anos. Confira a distribuição por segmento entre os 100 nomes:
- Aviação e conectividade: 22 representantes (companhias aéreas, aeroportos, GDS)
- Hotelaria e resorts: 18 líderes (redes nacionais, internacionais, boutique)
- Operadoras e consolidadoras: 15 nomes (B2B, B2C, nichos de luxo)
- Tecnologia e plataformas: 12 executivos (OTAs, ERPs, payment, data)
- Destinos e órgãos públicos: 11 autoridades (secretarias, fundos, promoção)
- Cruzeiros e marítimo: 9 representantes
- Entidades de classe e educação: 7 líderes
- Serviços financeiros e seguros: 6 nomes
A tecnologia salta de coadjuvante para quarto maior bloco, ultrapassando o setor público. Isso reflete a disputa por dados do viajante e a necessidade de stack própria para competir com OTAs globais.
Onde o networking acontece de verdade
A entrega das condecorações acontece na Abav Expo, no estande J73. Mas o valor real não está no troféu — está na concentração de decisores em um mesmo espaço físico. Quem circular por ali acessa, em poucas horas, responsáveis por orçamentos que somam bilhões em compras anuais de serviços turísticos.
O evento também distribui o Guia de Férias 2027, material que antecipa tendências de consumo para o próximo ciclo de vendas. Para fornecedores e investidores, é leitura obrigatória antes de planejar 2027.
O efeito times: líderes não operam sozinhos
O editorial da publicação faz um alerta importante: cada nome da lista representa uma estrutura de dezenas, às vezes centenas, de profissionais. A tomada de decisão em grandes redes, companhias aéreas ou secretarias de turismo passa por comitês, conselhos e áreas técnicas.
Para quem quer acessar esse mercado, mapear o segundo e terceiro escalão dessas organizações costuma ser mais eficaz do que mirar apenas o CEO. A lista funciona como porta de entrada para ecossistemas inteiros.
O que observar daqui para frente
Três movimentos merecem monitoramento nos próximos 12 meses. Primeiro: a integração entre aviação e hotelaria via programas de fidelidade próprios, reduzindo dependência de intermediários. Segundo: a pressão por métricas ESG reais — não apenas relatórios — nas RFPs de grandes corporações. Terceiro: a ascensão de destinos secundários impulsionada por conectividade regional e trabalho híbrido.
Quem estiver na Abav Expo deve priorizar conversas com os 51 estreantes. Eles carregam os orçamentos de inovação que vão ditar o ritmo do setor até a próxima edição da lista.
