Economia

O segredo que ninguém conta sobre as BRs de Minas…

Mateus Simões apresenta plano de duplicação de BRs em Minas Gerais durante reunião na ACMinas
Candidato detalha estratégia para duplicar três rodovias federais mineiras em encontro com empresários.

Mateus Simões (PSD) colocou a duplicação de três rodovias federais no centro do seu plano de reeleição ao governo de Minas Gerais. A proposta mexe direto com o bolso de quem produz, transporta ou apenas precisa cruzar o estado com segurança. Mas de onde virá o dinheiro para tirar o papel do discurso?

O candidato detalhou a estratégia durante encontro com a diretoria da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), na capital, na sexta-feira (25). O que ele revelou nas entrelinhas pode mudar a logística de setores inteiros nos próximos anos.

As três estradas que concentram o plano

Não são trechos aleatórios. A BR-262, a BR-040 e a BR-365 formam a espinha dorsal do escoamento mineiro — do agronegócio ao minério. Juntas, cortam regiões que respondem por fatia expressiva do PIB estadual.

Simões argumenta que a duplicação traria dois efeitos imediatos: queda nos índices de acidentes fatais e redução do custo logístico por tonelada transportada. Para o setor produtivo, tempo parado em pista simples é prejuízo certo.

De onde sai o recurso? A aposta na mineração

Aqui está o ponto que separa promessa de execução. O candidato propõe a criação de um fundo de infraestrutura abastecido com receitas da atividade minerária. A ideia: transformar royalty e compensação financeira em asfalto duplicado.

Na prática, isso exige:

  • Alteração na legislação estadual de destinação de recursos minerários
  • Acordo com a União para não ferir a partilha constitucional
  • Modelo de governança que evite contingenciamento ano a ano

Sem esses três pilares, o fundo vira mais uma linha no orçamento sujeita a cortes.

A negociação com Brasília que ninguém explica

Rodovias federais dependem de aval e dinheiro da União. Simões admite que precisará “negociar investimentos” com o governo federal. Tradução: o estado entra com projeto, licenciamento e parte dos recursos; a União entra com o grosso da obra.

O cenário mais provável envolve concessões com contrapartidas estaduais ou Parcerias Público-Privadas (PPPs) onde Minas assume riscos de demanda. O modelo exato ainda não foi apresentado com números.

O teste de fogo no Sul de Minas

Logo após a reunião na Savassi, o candidato seguiu para Guaxupé e Passos. Não foi por acaso. A região concentra cafeicultura de alta escala, cooperativas fortes e prefeitos com peso político no Congresso. Ali, a BR-262 e a BR-365 são gargalos conhecidos.

Em Guaxupé, Simões ouviu produtores. Em Passos, caminhou com prefeitos e lideranças. O roteiro sinaliza onde a promessa precisa entregar votos — e onde a cobrança será mais dura se não sair do papel.

O que observar daqui para frente

Três indicadores dirão se a proposta tem pernas: (1) envio de projeto de lei criando o fundo minerário à Assembleia nos primeiros 100 dias; (2) assinatura de protocolo de intenções com o Ministério dos Transportes; (3) publicação de editais de estudos de viabilidade para as três BRs. Sem isso, fica no campo do discurso de palanque.

Para o empresário que decide hoje onde alocar frota ou expandir armazenagem, a leitura é simples: acompanhe a tramitação legislativa e os atos do DNIT em Minas. A duplicação acontece no Diário Oficial, não no palanque.