O candidato ao governo de Sergipe pelo PL, Ricardo Marques, apresentou nesta sexta-feira (25) sua principal bandeira para a área de segurança pública: o programa “Protege Mulher”, atrelado a um pacote de valorização salarial e estrutural para as forças policiais, com foco especial no interior do estado.
A proposta nasce de um diagnóstico simples: não há segurança eficaz sem efetivo motivado e bem equipado. Mas o que isso significa, na prática, para o empresariado, para o investidor e para quem vive do comércio nas cidades do interior?
O eixo central: prevenção e resposta rápida
O “Protege Mulher” não se limita a criar delegacias especializadas. A ideia é integrar tecnologia, patrulhamento ostensivo e acolhimento humanizado para reduzir o tempo de resposta a denúncias de violência doméstica e de gênero. Em estados onde modelos semelhantes foram implementados, a queda nos índices de reincidência chegou a dois dígitos no primeiro ano.
Para o setor produtivo, a equação é direta: municípios mais seguros atraem mais investimentos, fixam mão de obra qualificada e reduzem custos com segurança privada.
Valorização policial: o motor que move a engrenagem
Marques condiciona o sucesso do programa a três pilares concretos para a categoria:
- Revisão do plano de carreira com ganhos reais acima da inflação
- Melhoria nas condições de trabalho — viaturas, armamento, coletes, estrutura de delegacias
- Interiorização efetiva: postos avançados e alojamentos dignos fora da capital
Hoje, o déficit de efetivo no interior sergipano força policiais a cobrir áreas extensas com viaturas sucateadas. A promessa é inverter essa lógica ainda no primeiro ano de gestão.
Agenda de campanha sinaliza prioridades territoriais
A rota desta sexta-feira não foi aleatória. Panfletagem no centro comercial de Aracaju pela manhã, reunião estratégica com a coordenação de campanha ao meio-dia e carreata em Simão Dias à tarde. O município do sertão sergipano, a 115 km da capital, concentra demandas históricas por mais policiamento ostensivo e estrutura pericial.
Simão Dias funciona como termômetro: se o plano funcionar lá, serve de modelo para os demais 74 municípios do estado.
O que os números não contam — e por que importa
Estatísticas de criminalidade são fotográficas: mostram o passado. A proposta de Marques aposta no preditivo — usar dados de ocorrências, denúncias anônimas e monitoramento de áreas sensíveis para alocar recursos antes do crime acontecer.
Para o investidor, isso reduz a incerteza jurídica e operacional. Para o comerciante do interior, significa menos fechamento precoce de portas e mais fluxo noturno.
O que observar nos próximos meses
A viabilidade do “Protege Mulher” dependerá de três variáveis que ainda não estão no papel: fontes de financiamento (fundo estadual, emendas parlamentares, parcerias federais), cronograma de concursos para recompor efetivo e estrutura de governança para evitar que o programa vire apenas mais uma sigla burocrática.
Outro ponto crítico: a integração entre Polícia Militar, Civil e Guarda Municipal. Sem protocolo único de atuação e compartilhamento de dados em tempo real, a “proteção rápida” prometida esbarra na fragmentação atual.
Quem acompanha o cenário sergipano deve ficar atento ao detalhamento do plano de governo — prometido para as próximas semanas — e às respostas dos concorrentes. Em segurança pública, a diferença entre discurso e entrega se mede em vidas e em reais.
