A Regata Recife-Fernando de Noronha (Refeno) ganhou contornos de reality show na edição de 2024. O Esporte Espetacular embarcou no Algo+ com um time de medalhistas e celebridades para registrar cada segundo da travessia de 545 quilômetros. O resultado só vai ao ar em janeiro de 2027, mas os bastidores já dão a medida do desafio.
Não foi passeio turístico. A tripulação enfrentou vela rasgada, enjoo coletivo, peixe fisgado no meio do Atlântico e a pressão de um cronômetro implacável. Tudo sob o olhar de câmeras, drones e microfones que captaram até os “esporros” de bordo.
O elenco que trocou podium por convés
A seleção de “convidados” foge do padrão de coberturas náuticas tradicionais. Estavam a bordo:
- Pâmela Rosa — bicampeã mundial de skate street
- Maurren Maggi — ouro olímpico no salto em distância (Pequim 2008)
- André Brasil — sete ouros paralímpicos na natação
- Richarlyson — ex-jogador de São Paulo, Atlético-MG e Seleção, hoje comentarista do SporTV
Nenhum deles é velejador profissional. A proposta era justamente essa: colocar atletas de elite fora de sua zona de conforto, expostos a ventos de proa, ondas de três metros e a rotina exaustiva de um barco de regata.
300 milhas náuticas em números brutos
A largada aconteceu no sábado, dia 19, com 93 embarcações alinhadas no Marco Zero do Recife. O percurso até o Mirante do Boldró, em Noronha, equivale a 300 milhas náuticas — cerca de 545 quilômetros de mar aberto.
O Algo+ cruzou a linha de chegada na 44ª colocação geral, após 37 horas ininterruptas de navegação. O comandante Paulo Carvalho teve Geraldo Von Sohsten e Otávio Mignot como imediatos. A equipe de reportagem contou com Renato Peters (repórter), Lula Moraes (editor), Rodrigo Lobo (imagem), Imahero Miranda (áudio) e Lucas Munhoz (drone).
O que ninguém conta sobre dormir (ou não) em alto mar
O editor Lula Moraes resumiu a experiência em uma frase que entrega o tom da produção: “Teve peixe fisgado em alto mar, golfinhos, enjoo, medo, vela quebrada, esporro, resenha e determinação pra chegar à Noronha”.
A quebra da vela obrigou a tripulação a manobras de emergência no escuro, com vento acima de 20 nós. O enjoo atingiu até os atletas mais condicionados — a adaptação ao movimento do casco não perdoa currículo olímpico. E os golfinhos? Apareceram em bandos, acompanhando o barco por quilômetros, em cenas que a equipe de drone capturou de ângulos impossíveis para cobertura convencional.
Por que a exibição só acontece em 2027
O intervalo de mais de dois anos entre a regata e a veiculação chama atenção. A explicação está na pós-produção: horas de bruto gravado em condições extremas — sal, umidade, vibração constante — exigem tratamento de áudio e imagem meticuloso. Além disso, a narrativa será costurada para seguir a estrutura de episódios, com começo, meio e clímax definidos, não apenas um compacto de melhores momentos.
A estratégia da Globo é transformar a Refeno em produto de prateleira longa: reprisável, vendível para plataformas e atrativo para anunciantes do segmento outdoor e lifestyle.
O que observar daqui pra frente
A 37ª edição da Refeno já entrou para a história como a primeira com cobertura imersiva em formato reality. Para 2025, a expectativa é que outras emissoras e plataformas busquem modelos semelhantes — embarcando influenciadores, atletas de outras modalidades ou até CEOs em provas de endurance.
Se você atua em patrocínio esportivo, turismo de aventura ou produção de conteúdo, o case merece arquivo. A combinação de atletas medalhistas + desafio real + janela de exibição longa cria um ativo de marca difícil de replicar em formatos tradicionais. Fique de olho na grade de janeiro de 2027: o Algo+ pode virar case em congressos de marketing antes mesmo de o primeiro episódio ir ao ar.
