Economia

Debate no TO: Saúde colapsada, farpas e o que muda para o seu negócio

Seis candidatos a governador do Tocantins em debate televisionado discutem saúde e economia
Debate da afiliada SBT expõe rachas na gestão estadual e impactos no ambiente de negócios tocantinense

Seis candidatos ao governo do Tocantins travaram um embate direto nesta sexta-feira (25), expondo rachas profundos na gestão da saúde, segurança e infraestrutura. O encontro, transmitido pela afiliada do SBT, serviu como radiografia dos gargalos que travam o ambiente de negócios local. A pergunta que fica: qual das propostas sobrevive ao primeiro ano de mandato?

Saúde: a “caixa-preta” que drena recursos

O setor dominou o primeiro bloco. Laurez Moreira (PSD) e Du Pereira (DC) trocaram acusações sobre obras paradas e desvio de verbas. Moreira prometeu dedicar os 60 primeiros dias exclusivamente à pasta, enquanto Pereira garantiu presença constante nos hospitais.

O caso da mãe acorrentada ao portão do HGP — símbolo da fila por cirurgias neurológicas — forçou Vicentinho Júnior (PSDB) a defender a conclusão dos regionais de Araguaína e Gurupi ainda no primeiro ano. Dorinha (União Brasil) focou na reorganização estrutural, admitindo que o modelo atual está esgotado.

  • Ponto de atenção: A promessa de “zerar filas” esbarra na falta de concursados e equipamentos — custo que não aparece nos discursos.
  • Risco: Histórico de obras inacabadas sugere que prazos de um ano são otimistas demais para planejamento de investidores da saúde suplementar.

Segurança: tecnologia contra a “síndrome da delegacia vazia”

Na segurança, o debate migrou da retórica para a inteligência. Ataídes Oliveira (Novo) propôs botão de pânico para vítimas e concurso público imediato. Witer Naves (PSOL) cobrou ciência de dados e integração federativa para combater o crime organizado.

A fuga de presos em Cariri do Tocantins expôs a fragilidade do sistema prisional. Du Pereira defendeu reformas e novas vagas; Vicentinho citou a queda da ponte em Aguiarnópolis como metáfora da negligência em ativos críticos.

Para o setor produtivo, a ausência de delegacias da mulher funcionando 24h e a carência de efetivo nas estradas elevam o custo logístico e o risco patrimonial.

Economia e infraestrutura: promessas industriais vs. realidade tributária

No terceiro bloco, a disputa girou em torno de desenvolvimento territorial. Du Pereira mirou alto: atrair quatro grandes industriais e uma montadora para Araguaína. Laurez Moreira contrapôs com qualificação via Sistema S e parcerias técnicas.

Dorinha destacou a vocação logística do estado e a necessidade de renegociação tributária com empresários. Ataídes foi direto: Palmas funciona como capital administrativa, o que afugenta investimento privado.

Sobre transparência em obras, Moreira prometeu “pessoas capacitadas” e zelo pelo dinheiro público. Vicentinho Júnior usou o colapso da ponte para cobrar auditoria retroativa. A criação de um banco de fomento, defendida por Dorinha, e o crédito direcionado, bandeira de Moreira, sinalizam que o acesso a capital continuará dependendo de articulação política.

Educação e mão de obra: o gargalo silencioso

O último bloco revelou o elo fraco da competitividade futura. Ataídes propôs 50 novas escolas e concursos para professores. Moreira focou na gestão por meritocracia nas direções escolares. Vicentinho Júnior denunciou a “regressão salarial” da categoria.

Na prática, a precariedade do transporte escolar — alvo de vistorias prometidas por Du Pereira e equipamentos novos defendidos por Witer — reflete a dificuldade de fixar mão de obra no interior.

O veredito das urnas e o cenário para outubro

As considerações finais expuseram as estratégias de voto. Ataídes classificou a reeleição de grupos tradicionais como “síndrome de Estocolmo”. Dorinha buscou o voto histórico para ser a primeira governadora. Moreira apelou para o “respeito ao próprio dinheiro” do eleitor insatisfeito.

O primeiro turno ocorre em 2 de outubro; eventual segundo turno, em 30 de outubro.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão o ambiente de negócios nos próximos 100 dias: a capacidade do eleito de montar secretariado técnico sem ceder a cotas partidárias, a velocidade de destrave das obras hospitalares (termômetro da execução orçamentária) e a sinalização sobre a dívida pública estadual — tema ausente no debate, mas central para o rating de crédito do Tocantins. Quem ignorar esses sinais corre o risco de precificar o estado com base em promessas de palanque, não em entrega de gestão.