Uma sequência de furtos audaciosos tomou conta da Avenida Conselheiro Furtado, no bairro da Cremação, em Belém. Câmeras de segurança flagraram criminosos agindo em pleno dia, levando desde fiação de cobre até reservatórios de água de estabelecimentos comerciais. O prejuízo para repor a rede elétrica de uma única residência já ultrapassa R$ 3 mil.
Moradores e comerciantes relatam rotina de medo e cobram reforço no policiamento. Mas há um detalhe nas imagens que chama a atenção: o mesmo suspeito aparece em diferentes ocorrências, circulando livremente pela via.
O dia em que a água sumiu do comércio
O comerciante Mauro Aguiar do Amaral descobriu o furto da forma mais básica: foi tomar banho e não havia água. Ao verificar, constatou que duas caixas d’água haviam desaparecido. O circuito interno mostrou a ação: um homem chega a pé, se abaixa, carrega os dois reservatórios e sai caminhando pela avenida como se nada tivesse acontecido.
“Eu fui tomar banho e cadê? Não achei a caixa. Quando fui olhar, tinham levado”, relata o comerciante. A cena, registrada em plena luz do dia, expõe a ousadia de quem age sem temer flagrantes.
Residências na mira: fiação, portões e sensação de impotência
O problema não se limita ao comércio. Um morador que comprou casa na avenida há menos de três meses já contabiliza prejuízos. Após a mudança, a família encontrou o cadeado do portão violado e a instalação elétrica completamente levada.
“Nós estamos vivendo com medo, não dá para ficar assim”, desabafa o proprietário, que preferiu não se identificar. Vizinhos apontam que o suspeito monitora a rotina das casas antes de agir — padrão que se repete nos vídeos obtidos pela reportagem.
O custo invisível da insegurança
Além do valor direto dos objetos furtados, há o gasto com reposição e reforço de segurança. Confira o que já foi levado apenas neste trecho da via:
- Fiação elétrica e de telefonia (custo de reposição: ~R$ 3 mil por imóvel)
- Caixas d’água de comércios locais
- Objetos de estabelecimentos comerciais diversos
- Cadeados e portões violados para acesso aos imóveis
Moradores afirmam que este não é o primeiro alerta emitido neste mês. Reportagens anteriores já haviam exposto o avanço dos furtos de cobre e invasões domiciliares no bairro, indicando escalada contínua.
O que une os casos: um rosto conhecido nas câmeras
Segundo relatos da vizinhança, o homem que aparece carregando as caixas d’água é o mesmo flagrado rondando a área em outras ocasiões. Ele seria responsável por “pequenos delitos” que, somados, compõem um padrão de atuação constante e impune.
A sensação compartilhada é de abandono. “Se a gente não tiver uma segurança, fica difícil para as pessoas trabalharem e viverem em paz”, resume outro morador da região. O pedido é unânime: posicionamento das autoridades e policiamento ostensivo reforçado.
O que observar daqui para frente
Enquanto o reforço policial não chega, moradores e comerciantes da Conselheiro Furtado adotam medidas próprias: portas reforçadas, cercas elétricas, monitoramento 24 horas e grupos de WhatsApp para alertas em tempo real. A pergunta que fica é até quando a iniciativa particular precisará suprir a ausência do poder público em uma das vias mais movimentadas do bairro.
