Justiça

Moro acelera no Paraná: o movimento estratégico que antecipa 2026…

Sergio Moro em campanha no Paraná visitando Foz do Iguaçu e Ponta Grossa
Ex-juiz e senador Sergio Moro antecipa campanha ao governo do Paraná com agenda no interior.

Sergio Moro (PL) colocou o pé na estrada nesta sexta-feira (25) com agenda dupla em Foz do Iguaçu e Ponta Grossa, sinalizando que a disputa pelo Palácio Iguaçu começou bem antes do horário eleitoral. O ex-juiz e senador optou por roteiros que misturam corpo a corpo popular e reuniões fechadas com o setor produtivo. A movimentação levanta uma dúvida imediata: qual das duas frentes — voto de opinião ou apoio estrutural — terá peso maior na definição do pleito?

Do asfalto à sala de reuniões: a geografia do primeiro dia

A manhã começou em Foz do Iguaçu, na fronteira tríplice. Concentração na Travessa Sergipe, carreata e caminhada pela Avenida Mário Filho. O objetivo era visibilidade pura, teste de receptividade nas ruas e geração de conteúdo para redes sociais. Não houve discursos longos; a aposta é na imagem do candidato acessível.

À tarde, o cenário muda radicalmente. Em Ponta Grossa, a 600 quilômetros dali, Moro troca o microfone da rua pela mesa de negociação. Entrevista ao portal aRede e, o ponto central, encontro com a diretoria da Associação Comercial, Industrial e Empresarial (ACIPG) e do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas (SindPonta).

Por que Ponta Grossa pesa mais do que parece

A escolha da cidade dos Campos Gerais não foi aleatória. O município concentra um PIB industrial robusto e é um nó logístico essencial para o escoamento da safra paranaense. Reunir, de uma só vez, comércio, indústria e transportadores de carga é um aceno direto a quem financia campanha e, mais importante, a quem move a economia real do estado.

  • ACIPG: representa o varejo, serviços e indústria local — termômetro do emprego formal.
  • SindPonta: voz do modal rodoviário, setor sensível a infraestrutura, tributação e segurança nas estradas.

O recado é claro: a plataforma de governo será construída — ou ao menos calibrada — ouvindo demandas de competitividade e logística. Mas o efeito mais relevante aparece quando se olha para o calendário eleitoral.

O relógio da Justiça Eleitoral já está correndo

A campanha de rua foi oficialmente liberada em 16 de agosto em todo o território nacional. A partir dessa data, comícios, caminhadas, debates e propaganda em rádio, TV e internet tornaram-se permitidos, desde que respeitadas as normas do TSE. No Paraná, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro; eventual segundo turno, para 25 de outubro.

São pouco mais de 40 dias de campanha ativa. Para um estado com oito nomes oficializados na disputa — incluindo Adriano Teixeira (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Requião Filho (PDT), Samuel Mattos (PSTU), Sandro Alex (PSD) e Tayná Miessa (UP) — a fragmentação inicial é alta. Quem conseguir consolidar apoios institucionais nas próximas duas semanas larga na frente na luta pelo segundo turno.

O que o empresariado deve monitorar daqui para frente

Não há espaço para “esperar para ver”. As próximas agendas de Moro e dos concorrentes dirão se a estratégia é ampliar a base de centro-direita ou radicalizar no eleitorado bolsonarista puro. Fique atento a três indicadores concretos:

  • Presença em eventos da Fiep (Federação das Indústrias) e Ocepar (cooperativismo).
  • Posicionamento sobre pedágios e concessões rodoviárias — tema sensível para o SindPonta.
  • Captação de tempo de TV: a coligação PL definirá a largura do palanque eletrônico.

Quem lê o Paraná como mercado, e não apenas como colégio eleitoral, sabe que a eleição de governador dita o ritmo de licitações, incentivos fiscais e segurança jurídica pelos próximos quatro anos. O movimento de hoje foi a largada; a corrida, porém, será decidida nos detalhes que surgirem nas próximas reuniões de portas fechadas.