Uma falha técnica nos sistemas do Banco Honda atrasou a liberação de financiamentos do programa Move Motos e impediu o emplacamento de mais de 3.000 motocicletas. O incidente fez a financeira da montadora perder a liderança do programa para a concorrente Yamaha logo no mês de estreia.
Até o momento, o Banco Honda formalizou 3.286 contratos garantidos pelo FGO (Fundo de Garantia de Operações), contra 5.775 da financeira ligada à Yamaha. Caixa e Banco do Brasil aparecem em seguida, com 3.069 e 2.134 operações, respectivamente.
O tamanho do prejuízo operacional
O volume total contratado nas quatro instituições soma R$ 306 milhões, distribuídos em 14.264 financiamentos. A concentração é alta: 67% dos contratos foram fechados apenas em agosto, mês em que a Honda operou com atraso.
O ticket médio gira em torno de R$ 21 mil, com prazo padrão de quatro anos. O modelo mais financiado pela instituição até agora é a CG Titan 160 flex, carro-chefe da marca no segmento de entrada.
- Yamaha (banco parceiro): 5.775 contratos
- Banco Honda: 3.286 contratos
- Caixa Econômica Federal: 3.069 contratos
- Banco do Brasil: 2.134 contratos
Por que o sistema parou na largada
Apuração interna revela que as plataformas do Banco Honda não estavam prontas na data oficial de lançamento do programa, no final de julho. A instituição só iniciou a esteira de crédito do Move Motos em 17 de agosto — quase três semanas depois dos concorrentes.
A origem do gargalo foi a integração com uma empresa terceirizada responsável por transmitir os dados dos financiamentos ao Detran. A nova plataforma contratada para operar a linha apresentou instabilidades que bloquearam o envio automático das informações.
Para não estourar o prazo legal de 30 dias para emplacamento, a equipe precisou recorrer a processos manuais de envio de dados. Em nota, o banco classificou os problemas como “pontuais” e afirmou que foram solucionados dentro do prazo legal.
O que muda para o entregador na ponta
O Move Motos oferece juros de 12,5% ao ano, carência de dois meses e até 48 meses para pagar. Podem acessar a linha motoboys, mototaxistas e entregadores de aplicativos ativos há pelo menos seis meses — ou com 100 corridas completadas nas plataformas.
O atraso na concessão, no entanto, gerou insegurança para quem dependia da rapidez do financiamento para renovar a frota e manter a renda. A promessa de agilidade do programa colidiu com a realidade operacional de um dos maiores players do setor.
O cenário para os próximos meses
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou que 19 mil motos foram vendidas via Move Brasil, mas não confirma se os dados do FGO representam a totalidade das operações. Caixa, BB e Yamaha afirmam que 100% de seus contratos têm garantia do fundo; o mesmo valeria para o Banco do Brasil, segundo apuração.
Com os sistemas normalizados, a expectativa do mercado é que o Banco Honda recupere participação nos próximos relatórios. O termômetro será a velocidade de conversão das mais de 7.000 propostas já aprovadas pela instituição — muitas ainda não transformadas em contratos formais.
O que observar: a capacidade de escala da nova plataforma tecnológica da Honda, a eventual migração de clientes para concorrentes durante a janela de instabilidade e a transparência do governo sobre o volume real de recursos do FGO já comprometidos.
