Justiça

Bahia 2026: 6 candidatos, 11 milhões de votos e o cálculo decisivo do 2º turno

Mapa da Bahia com 6 silhuetas de candidatos e ícones de urna eletrônica sobre 11,3 milhões de eleitores
Os 6 candidatos ao governo da Bahia e o maior colégio eleitoral do Nordeste em 2026.

Seis nomes disputarão o Palácio de Ondina em outubro, mas o verdadeiro termômetro da eleição baiana está nos 11.321.005 eleitores aptos a votar — o maior colégio eleitoral do Nordeste. Esse contingente sozinho supera a população de países como Portugal ou Grécia e carrega um recorte demográfico que costuma ditar o ritmo das urnas: 53% são mulheres e quase 60% se declaram pardos.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Se ninguém passar de 50% dos votos válidos, a decisão fica para 25 do mesmo mês. A conta é simples, mas o caminho até lá promete ser tudo, menos linear.

O peso do eleitorado que ninguém ignora

Os números do TSE desenham um mapa social que obriga qualquer campanha a sair do script padrão. Mulheres são maioria absoluta. Pardos e pretos somam 83% do eleitorado que declarou cor ou raça. Brancos representam 15,9%, enquanto indígenas e amarelos, juntos, não chegam a 1,1%.

Essa composição não é detalhe estatístico. É a base sobre a qual se constroem — ou se desconstroem — maiorias. Historicamente, o eleitorado baiano vota alinhado a pautas de inclusão social e direitos trabalhistas, mas oscilações recentes mostram que fidelidade partidária não é mais garantia de nada.

Calendário e regras: o que muda em 2026

Além do governador e vice, o baiano vai escolher dois senadores (cada chapa leva um titular e dois suplentes), deputados federais, estaduais e o presidente da República. Tudo no mesmo dia. O voto é único por cargo, mas a dinâmica de “puxada” de legenda ainda opera forte no interior.

Para o governo, a regra dos 50% + 1 dos votos válidos — excluindo brancos e nulos — mantém vivo o cenário de segundo turno. Nas últimas três disputas estaduais, apenas uma foi resolvida na primeira ida às urnas. A fragmentação partidária atual torna a repetição do cenário 2018 e 2022 bastante provável.

Os seis nomes na urna: perfis e espectros ideológicos

A ordem abaixo segue o critério alfabético do nome de urna, conforme registro no TSE. Cada candidatura carrega o peso de sua legenda e o desafio de traduzir plataforma nacional para a realidade baiana.

  • ACM Neto (União) — Herdeiro do clã que dominou a política estadual por décadas, ex-prefeito de Salvador por dois mandatos. Representa o campo de centro-direita liberal, com discurso de gestão técnica e articulação nacional.
  • Ariel Capistrano (DC) — Democracia Cristã aposta em viés conservador, cristão e de defesa da família. Candidatura de nicho, sem estrutura de grande partido, mas com potencial de captação no eleitorado evangélico crescente.
  • Aroldo Felix (UP) — Unidade Popular traz plataforma socialista revolucionária, fora do espectro institucional tradicional. Campanha baseada em mobilização de base, sem tempo de TV relevante.
  • Jerônimo Rodrigues (PT) — Atual governador busca reeleição. Carrega a máquina estadual, alianças com o governo federal e o recall de quatro vitórias consecutivas do partido no estado. Base forte no interior e nas periferias urbanas.
  • Maria Bona (PCO) — Partido da Causa Operária apresenta candidatura de linha trotskista, com pauta de ruptura institucional. Votos residuais esperados, mas presença simbólica no debate de ideias.
  • Ronaldo Mansur (Psol) — Socialismo e Liberdade aposta em plataforma de esquerda crítica ao PT, com bandeiras de direitos humanos, meio ambiente e feminismo. Disputa o mesmo eleitorado progressista do governador, mas sem estrutura de poder.

Além do Palácio: Senado e a correlação de forças

Duas vagas ao Senado em jogo alteram a geopolítica do Congresso. Quem eleger governador leva vantagem na montagem das chapas majoritárias, mas o voto dividido — comum no eleitorado baiano — pode produzir surpresas. Em 2022, o PT venceu o governo, mas a oposição elegeu um senador. O xadrez de 2026 repete a lógica: o controle da máquina estadual não garante hegemonia total.

Cenários para outubro: o que observar daqui pra frente

Três variáveis vão ditar o ritmo até a urna. Primeiro, a capacidade de transferência de votos do presidente Lula no estado — ainda alta, mas com sinais de desgaste em segmentos médios. Segundo, a adesão do eleitorado evangélico, que cresceu 12 pontos percentuais na última década e hoje beira 30% da população adulta. Terceiro, o desempenho dos debates e do horário eleitoral gratuito, único momento em que candidaturas sem estrutura milionária ganham visibilidade nacional.

Pesquisas qualitativas indicam rejeição alta a “mais do mesmo”, mas medo declarado de “aventuras”. O eleitor baiano de 2026 parece querer gestão competente com sensibilidade social — uma equação que nenhum dos seis resolveu publicamente até agora. A campanha oficial começa em 16 de agosto. Até lá, cada movimento nos bastidores vale mais que qualquer peça publicitária.