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TST derruba abusividade da greve dos Correios, mas exige volta imediata; veja o que muda

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu que a paralisação dos Correios não configura abusividade, porém determinou o retorno das atividades já nesta sexta-feira (25). A medida afeta diretamente a logística de encomendas e o fluxo de correspondências em todo o país.

Por maioria de votos, a Seção de Dissídios Coletivos rejeitou o pedido da estatal para declarar o movimento ilegal. O placar expôs uma divisão interna: três ministros votaram pela abusividade, mas a tese majoritária prevaleceu.

O que a decisão muda no bolso do trabalhador

O ponto mais sensível para a categoria foi mantido: não haverá desconto dos dias parados. Em contrapartida, as horas não trabalhadas terão de ser compensadas em acordo posterior. Na prática, o salário do mês cheio está preservado, mas a folga terá de ser reposta.

  • Dias parados: sem corte no contracheque.
  • Compensação: obrigatória, em calendário a definir.
  • Multas sindicais: não foram aplicadas.

Por que a corte entendeu que não houve abuso

O ministro Vieira de Mello Filho, presidente do TST, resumiu a lógica da maioria em três pilares. Primeiro, a capilaridade da empresa: são milhares de unidades espalhadas por território continental. Segundo, a legislação garante o direito de persuasão para adesão ao movimento. Terceiro, não ficou provado descumprimento de ordens judiciais anteriores.

Durante o julgamento, a empresa argumentou que piquetes impediram o acesso a unidades estratégicas. A corte, porém, considerou que interdições pontuais não equivalem a bloqueio geral das operações.

Contexto: como se chegou até aqui

A greve começou em 10 de setembro, após o fracasso das negociações da campanha salarial 2026. A Federação dos Trabalhadores (Findect) rejeitou a proposta da estatal e deflagrou a paralisação por tempo indeterminado. Dias depois, o próprio TST impôs a manutenção de 80% do efetivo nas atividades essenciais — regra que permaneceu em vigor até a decisão final.

Esse percentual mínimo evitou o colapso total dos serviços, mas não impediu atrasos expressivos na entrega de encomendas e documentos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

E agora: o que observar nos próximos dias

Os sindicatos farão assembleias nas próximas horas para deliberar sobre o fim da greve. A tendência majoritária é acatar a determinação judicial, mas há alas que defendem a continuidade do movimento sob alegação de que a compensação de dias não foi negociada.

Para o mercado, três variáveis merecem monitoramento:

  • Velocidade de normalização do fluxo logístico nas capitais e no interior.
  • Impacto no e-commerce: prazos de entrega já estendidos podem gerar pedidos de chargeback.
  • Próxima rodada de negociação salarial: o dissídio coletivo ainda não fixou reajuste, apenas encerrou o conflito de greve.

Empresas que dependem dos Correios para last mile devem revisar SLAs de entrega e comunicar proativamente os clientes. O cenário mais provável é de normalização gradual ao longo da próxima semana, com pico de demanda reprimida nos primeiros dias úteis.